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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O nosso ponto de partida

"Na natureza tudo tem seu oposto,
porém o caminho da Sabedoria
é encontrar o ponto de equilíbrio
entre todas as coisas"
Para transformarmos o que somos (ou melhor, o que achamos que somos) existem muitos pontos a serem refletidos, como a motivação, o ritmo de trabalho e a metodologia que vamos adotar. Exatamente como qualquer outro empreendimento. Existe uma finalidade, um objetivo a ser alcançado e uma motivação que sustenta essa busca. É comum que as pessoas confundam aprender a viver o momento sem criar espectativas (que é algo a ser conquistado) com viver sem objetivos a serem alcançados, o que seria algo prejudicial em nosso próprio caminho, pois, como diz o I Ching (um dos livros sagrados dos chineses) em quase todos os seus aforismos: “É favorável ter onde ir”.
Quem caminha sem rumo desanima e tanto faz o lugar em que chegou. Quando uma pessoa está comprometida com o seu aperfeiçoamento interior, precisa assumir o risco desse empreendimento e utilizar todas as ferramentas possíveis para alcançá-lo, mesmo que mais adiante essas mesmas ferramentas terão que ser descartadas, porque já começam a atrapalhar. Mas no início, são fundamentais.

Muitas escolas de autoconhecimento enfatizam a importância de adquirir determinadas características, como se fossem virtudes próprias de quem está avançando nesse caminho. Só que nessa abordagem, algumas pessoas aparentemente saem com uma certa “vantagem”, porque já possuem aquelas características. Por exemplo, muitas escolas enfatizam a disciplina como um elemento extremamente favorável para o desenvolvimento interior. Ou seja, elevam a característica da disciplina ao status de “virtude da disciplina”. E existem pessoas que tem uma facilidade, de seguir algo a que se determinaram, mas nem por isso significa dizer que estão melhores que as demais, já que os seus problemas repousam em outras áreas, como por exemplo a flexibilidade e a adaptabilidade.

A natureza humana se compõe de características complementares, que no geral são inversamente proporcionais entre si. Isso significa dizer que o que temos em abundância de um lado produz uma carência do outro. É como se tivéssemos uma corda que precisa ser engatada em dois ganchos, em cantos opostos da sala; só que a corda é curta e só temos como engatar em um lado. Esse é o padrão inicial que temos, a nossa “configuração de fábrica”; daí pra frente, temos que aprender a desengatar a corda de um lado e engatar no outro, sempre que for preciso.

Por exemplo, as pessoas que são criativas, geralmente tem grandes dificuldades com a disciplina. Quanto mais criativo, mais desorganizado se é. É quase uma regra geral (salvo as pessoas que aprenderam a equilibrar isso). E o mesmo se aplica a quem é disciplinado, cumpridor de seus deveres e organizado. São pessoas que, se as coisas fogem do “script”, ficam perdidas, porque não sabem improvisar. Da mesma forma vamos encontrar os indivíduos mais instrospectivos, que tem grandes dificuldades de se relacionar com o mundo. Já os extrovertidos, tem grande dificuldade de ficar a sós consigo mesmos e por isso estão sempre procurando alguma coisa pra fazer, a fim de não dar espaço para olhar para dentro. Quem é inseguro, tem dificuldade de tomar uma decisão rápida; quem é impulsivo, tem dificuldade de medir os riscos; quem é muito sorridente e otimista tem dificuldade de olhar para o lado ruim das coisas; quem é mais pé-no-chão e sóbrio, tem grande dificuldade de olhar as coisas de uma perspectiva mais leve. Quem é ansioso, não consegue relaxar; quem é demasiadamente descansado, não consegue fazer as coisas acontecerem… e assim por diante. Como dizer que alguma destas características citadas nos deixa em maior vantagem que o seu complemento? Na verdade, precisamos de todas elas, para utilizar cada uma no momento que for adequado. Essa capacidade de dispor ou não de uma característica, conforme havíamos falado antes, é o que chamamos de Virtude. Enquanto não temos essa habilidade, não possuímos virtudes e sim um monte de coisas que estão sobrando e outras tantas que estão faltando.

Agora imaginem uma pessoa que tem uma característica que é exaltada dentro de uma ideologia. É inevitável ela olhar pra si e pensar que então ela está muito bem. E nessas condições, acaba ficando cega pra tudo que ela não tem, porque essas coisas parecem ser menos importantes que aquilo que ela já possui. Por isso, não é adequado falarmos de características que serão úteis, pois ao seu tempo, no local e momento apropriado, todas serão úteis.

"Se o ponto de partida depende de onde estamos, mesmo que o ponto de chegada
seja o mesmo para todos,
o caminho já não é o mesmo"


Então, o mais importante é não ter características tão marcantes e sim conseguir equilibrá-las com as características complementares. Como escreveu Confúcio: “O homem que transformar seus pontos fracos em pontos fortes se tornará invencível.” Porém como fortalecer um ponto fraco, se o ponto forte não deixa aquilo crescer, já que estamos falando de coisas opostas? Matematicamente, se temos um conjunto de 100% (que no nosso caso, é a soma de duas características complementares), como aumentar um lado sem tirar do outro? Não podemos aumentar o que está em 15% e passá-lo para 50% sem reduzir o que era 85% para 50%. Mas e como isso se aplica na prática? Uma das técnicas para chegar a esse resultado é o que chamamos de transvalorização, ou seja, a mudança dos valores. Obviamente, este é um assunto que merece um estudo detalhado e então será estudado na sequência, através de vários artigos, pois ainda estamos “introduzindo” o assunto do autoconhecimento. Mas, em síntese, aplicamos a transvalorização quando aprendemos a tirar um pouco do valor no que temos sobrando e começamos a aplicar naquilo que nos falta. Ou seja, trata-se de um processo de reeducação, que começa através da conscientização da necessidade de mudar, que vai sendo nutrida diariamente, para que não definhe e volte ao padrão anterior. Essa reeducação, quando aliada a técnicas como a reflexão, a reconstrução de situações vividas e a visualização de uma nova postura frente a essas situações, vai gerando uma alteração de nossas sinapses, fazendo com que o padrão anterior perca um pouco da sua postura inflexível e vá abrindo espaço para o desenvolvimento de sua característica complementar, até o ponto em que podemos optar que atitude tomar em cada situação, por não estarmos mais condicionados a ter que agir segundo um padrão pré-estabelecido dentro de nós.

Agora, pensemos: antes de fazer essa reeducação, quem pode afirmar que exerce o seu livre-arbítrio? Enquanto estivermos presos a uma característica, somos vítimas dela.
Para concluir, vamos voltar à questão proposta no início. Qual é o nosso ponto de partida? O que temos que mudar? Qual é o caminho a seguir? Você não pode ter essas respostas sem primeiro saber onde você está. Por exemplo, se uma pessoa disser que o caminho para chegar a Curitiba é ir sempre em direção ao nascer do sol, vai ser bem difícil que alguém que esteja em Florianópolis consiga chegar nesse local, não é mesmo? Portanto, não pensemos que o autoconhecimento é uma sequência de ações matemáticas, como quem faz um bolo seguindo uma receita. É um caminho onde só se conhece o passo seguinte entendendo em que posição estamos e onde queremos chegar.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Alimentação e Magnetismo

"...o real propósito dos cuidados com alimentação
é o refinamento continuo dos corpos, para que
energias magnéticas mais puras
impregnem toda a vida externa do ser..."


Alimentação e Magnetismo

As orientações que se seguem são dedicadas aos que se dispõem a colaborar na criação de novos estados e de condições propícias para a expressão do magnetismo do seu ser interno.

O ato de alimentar-se deve, a certa altura da evolução dessas pessoas, transformar-se em verdadeiro cerimonial. Isso ocorre naturalmente quando elas se tornam conscientes dos aspectos ocultos da alimentação e do seu auxilio na formação e sutilização dos corpos.

Pela digestão, as substancias não passam só pelo processo fisiológico de quebra de suas cadeias químicas materiais, mas também liberam suas qualidades sutis. O reconhecimento desse processo misterioso de desmaterialização e de liberação progressiva das energias aprisionadas nas substancias pode ajudar-nos a lidar de melhor modo com a escolha e elaboração diária dos alimentos, bem como assumir uma postura reverente durante as refeições.

Antes de tudo, a alimentação deve servir de apoio á busca interior. A partir desse propósito puro, passa-se a valorizar o aspecto essencial dos alimentos. Os corpos passam a suprir-se mais de energia sutil do que propriamente de elementos densos.

Os alimentos são usados tendo-se em vista necessidades biológicas e necessidades evolutivas e não o prazer em si mesmo. Cultiva-se o espírito antes da matéria.

Alimento vivo
Para facilitar a expressão do magnetismo superior do ser, devemos seguir, em toda a vida prática, os ritmos da natureza e cultivar harmonia para com seus reinos. O alimento que a natureza produz é vivo, pois está inserido em um grande universo de forças e de energias criadoras.

Ao ser colhido, inicia-se um lento processo de perda de vitalidade, pois ele se desliga de seu âmbito natural criador. Devemos, então, procurar as formas mais adequadas de lidar com os alimentos, para que se mantenham o mais plenos de vida possível até serem consumidos.

Nossa atitude amorosa ao manipulá-los e elabora-los, nossa gratidão e reverencia para com o universo, a alegria em aceitá-los, tudo nisso influencia positivamente na manutenção de suas qualidades energéticas e nutritivas e pode potencializá-las. Devemos ter presente também que a salivação é decisiva na liberação das qualidades essenciais dos alimentos e em toda digestão, e é influenciada diretamente pelo nosso estado de consciência.

Lembretes para quem busca novas formas de alimentação

Os alimentos devem ser usados com moderação, ponderação e discernimento, procurando-se descobrir as combinações mais benéficas para cada momento. De preferência devem ser ingeridos no estado natural, e sem muitas misturas. Mas saiba-se que condimentos, bem empregados, ajudam a digestão. É bom não nos abstermos de produtos de forma irrefletida.

Também é bom lembrar que, quando fazemos muitas refeições ou quando comemos em excesso, provocamos lentidão nos processos mentais e nas atividades diárias, alem do desperdício de alimento.

Aqueles que preparam alimentos devem cultivar o espírito de oferta: usar tudo o que estiver disponível, desde que não seja nocivo ao corpo, à mente ou à alma; agir com flexibilidade e adaptabilidade, sem confirmar vícios ou fazer concessões a hábitos, mesmo aos mais arraigados. Já devem ter transcendido a gula.

A higiene deve estar neles incorporada, bem como a ordem externa, o amor ao silencio e elevado grau de controle da palavra e das emoções. Os que têm a intenção de comer corretamente devem usar produtos que aumentem a força vital, a força mental e a saúde, alimentos suculentos, frescos e agradáveis.

Devem evitar os excessivamente amargos, azedos, salgados, doces, apimentados, pungentes, ácidos ou picantes. Se os encontrar à mesa, é melhor não servir-se deles ou, pelo menos, faze-lo com parcimônia. Que não reclamem do alimento disponível e aprendam a sugerir melhorias pacificamente e de forma construtiva.

Recomenda-se, ainda rejeitar alimentos que não sejam frescos, alimentos fermentados, estragados ou impuros. Não se devem usar restos dos outros. Que se evitem produtos animais, excetuando-se o mel. Tudo isso é da maior importância para a irradiação magnética superior.

Como efetuar mudanças com harmonia

No caminho ascendente, jamais se pode interferir no modo de se alimentar dos demais, nem querer impor o seu. O mais salutar é agir sem dogmatismo, respeitando a própria necessidade e a dos outros.

Na escolha da alimentação mais adequada para nós à prudência é sempre necessária, porém nunca devemos deixar de seguir um novo impulso evolutivo, nem nos acomodar ao que já não nos corresponde.

Para que o novo impulso possa emergir com força e clareza, para que possa desenvolver-se sem dificuldades, é bom assumir por etapas qualquer proposta de mudança na alimentação. As mudanças na consciência são muito mais rápidas do que as dos corpos!

Uma nova alimentação deve ir emergindo naturalmente para que sua própria força e energia vá eliminando o que nos impõem os hábitos, condicionamentos e vícios do passado. Se os pensamentos, sentimentos e ações não forem puros e neutros, isentos de tendências e envolvimentos emocionais, os impulsos evolutivos que recebemos se frustram.

Assim, a todo momento podemos exercitar-nos para aceitar de forma imparcial esses impulsos, mantendo-nos amoldáveis, gratos e reverentes por tudo o que a providencia Divina nos traz. Sejamos neutros e impessoais, de forma a ter clareza suficiente para perceber e absorver o que nos prepara para etapas vindouras.

Nesse continuo avanço, lembremo-nos de que nada do que eliminamos da nossa alimentação deveria ser encarado por nós como sem serventia, pois outras pessoas, em diferentes situações, podem necessitar do que eventualmente já não nos corresponde. Assim também evitamos que entrem em conflito por não estarem talvez preparadas para assumir certas mudanças.

Tudo isso, porém, deve ser feito sem que ninguém deixe de avançar! Lembremo-nos sempre de que o real propósito dos cuidados com alimentação é o refinamento continuo dos corpos, para que energias magnéticas mais puras impregnem toda a vida externa do ser.

Esses cuidados propiciam verdadeiros processos de cura interior. Que a alimentação se torne, pois, ato sagrado em nossa vida, e que humildemente consigamos, também por meio dela, expressar as melhores aspirações do nosso eu maior.

Dr. José Maria Campos (Clemente)
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