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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Ecologia Profunda


Nossa ecologia deveria ser uma profunda ecologia - não apenas profunda, mas universal. Há poluição na nossa consciência. Televisão, filmes e jornais são formas de poluição para nós e nossos filhos. Eles plantam as sementes de violência em nós e poluem nossa consciência, da mesma maneira que destruímos nosso meio-ambiente por plantar usando químicos, cortar as árvores e poluir a água.

Precisamos proteger a ecologia da Terra e a ecologia da mente, ou este tipo de violência e imprudência se espalharão até por mais áreas da vida.

Thich Nhat Hanh

Fonte: AQUI 

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Assim Rezamos


Imediatamente depois de ordenar o ataque terrestre ao Iraque, em fevereiro de 1991, o presidente Bush falou para sua nação, “Parem o que quer que estejam fazendo neste momento e rezem pelos soldados no Golfo. Deus abençoe os EUA.” Eu suspeito que no mesmo momento muitos muçulmanos estavam também rezando para o seu Deus para proteger o Iraque e seus soldados. Como Deus sabe que nação apoiar?

Muitos oram a Deus porque querem que ele satisfaça algumas de suas necessidades. Se eles querem ter um piquenique, pedem a Deus por um dia claro, de sol. Ao mesmo tempo, fazendeiros que precisam de mais chuva rezam pelo oposto. Se o tempo ficar claro, os que fazem piquenique podem dizer, “Deus está no nosso lado, ele respondeu as nossas preces.” Mas se chove, os fazendeiros dirão que Deus ouviu as preces deles. Esta é a maneira que usualmente rezamos.

Thich Nhat Hanh

Fonte: AQUI

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Temos que Acordar! Esta é a Prática que irá nos Salvar

Três meses é muito se vivermos realmente cada momento em profundidade.


"...Você pode viver cada momento de cada dia profundamente, em contato com as maravilhas da vida. Então você aprenderá a viver e, ao mesmo tempo, aprenderá a morrer. Uma pessoa que não sabe como morrer, não sabe como viver e vice-versa. Você deveria aprender a morrer – a morrer imediatamente. Esta é a prática..."


"...Você está pronto para morrer agora? Você está pronto para organizar suas atividades de forma que possa morrer em paz esta noite? Isto pode ser um desafio, mas esta é a prática. Se você não fizer isso, será sempre atormentado pelo sentimento de perda. Se você não quer sofrer, se não quer ser atormentado pelo sentimento de perda, a única solução é viver cada minuto que tem de uma maneira profunda. Isto é tudo que se tem para fazer. A única maneira para se lidar com a insegurança, medo e sofrimento é viver o momento presente de uma maneira profunda. Se você fizer isso, não terá lamentos..."


"...Talvez estejamos também vivendo como mortos. Nos movemos pela vida nos nossos próprios cadáveres porque não tocamos a vida em profundidade. Vivemos um tipo de vida artificial, com muitos planos, muitas preocupações e raiva. Nunca somos capazes de nos estabelecer no aqui e agora e viver nossas vidas profundamente. Temos que acordar! Temos que fazer o possível para o momento de consciência se manifestar. Esta é a prática que irá nos salvar – esta é a revolução..."



"...Viver é uma alegria. Morrer de forma a começar novamente é também uma alegria. Recomeçar é uma coisa maravilhosa, e recomeçamos constantemente..."

Thich Nhat Hanh


Para ler o texto na íntegra, clique AQUI

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O caminho para sair da depressão


"...Quando você está totalmente presente no aqui e no agora, e observa seus pensamentos, sentimentos e emoções, você reconhece que eles são pensamentos, sentimentos e emoções; eles não são a realidade. Você não é absorvido por eles. Você mantém sua liberdade, e isso é muito importante..."



Palestra do Dharma da véspera de Ano Novo
por Thich Nhat Hanh - 31 de dezembro de 2005

Nós temos o poder de reconhecer nossos pensamentos, nossos sentimentos, nossas emoções, nossas percepções. Nós não temos que suprimi-las. Mas nós queremos ter o tempo e o espaço para olhar para elas e as reconhecer tais como elas são. Esta é a prática básica. Fazer o que for preciso para ficar presente no aqui e no agora. Muitas vezes o nosso corpo está aqui, mas nossa mente está em outro lugar. Nossos filhos não sentem que estamos verdadeiramente presentes.

Quando você vai a uma casa e você quer encontrar alguém nela, você pergunta, “há alguém em casa?”. E se alguém diz “sim”, então você ficará feliz. Você não quer ir a uma casa onde não tem ninguém. Muito frequentemente nós não estamos em casa. Estamos perdidos em nossos pensamentos, nossas preocupações, nossos projetos, nossa ansiedade, nosso medo. Nós estamos completamente perdidos. Não estamos lá para ficarmos a par do que está acontecendo. A prática oferecida a nós pelo Buda não é estar no piloto automático, mas a prática da consciência, da vida consciente.

Se você está deprimido ou se você está com medo de entrar em depressão, é esta a saída. Se você puder ficar presente, se você puder identificar os tipos de sentimentos e pensamentos que são responsáveis pela sua depressão, você poderá ser livre. Você sabe que este tipo de pensamento, este tipo de sentimento causará uma recaída, e que a conscientização é o início da cura, da sua liberdade. Você não está com medo. Se você estiver realmente presente, pode permitir que os materiais difíceis venham para que você possa reconhecê-los. E você pode fazer algo para convidar os materiais maravilhosos a virem e ficarem com você, para lhe ajudar a processar os materiais que você precisa processar.

O Reino de Deus não é uma idéia. É uma realidade. Todas as vezes que estamos conscientes, todas as vezes que estamos concentrados, podemos entrar em contato com o Reino de Deus para nossa transformação e cura. É claro, o inferno está aqui no momento presente, mas o Reino de Deus também está aqui no momento presente, e nós temos que escolher entre os dois.

Há poucos dias atrás, eu disse que muitas pessoas que nasceram na França não tiveram a chance de ver todas as belezas da França como país. Mas muitos de nós que vêm de outros países, temos a chance de apreciar a beleza da França. O fato é que o território da sabedoria e da compaixão, o Reino de Deus, a Terra Pura do Buda, está disponível. Mas nós estamos preocupados demais com nosso estreito território de sucesso e fracasso, com nossa vida diária e nossa raiva, preocupações, desespero. Então nós não tivemos a chance de destrancar a porta do Reino de Deus.

Para que possamos destrancar a porta da felicidade, a porta do Reino, a porta da compaixão e amor, precisamos de uma chave. Esta chave, de acordo com os ensinamentos do Buda, é o triplo treinamento da plena consciência, concentração e insight. O Reino de Deus é um lugar onde nós podemos cultivar o insight e a compaixão.

Quando você cultiva milho, você tem milho para comer. Quando você cultiva trigo, você tem trigo para comer. Quando você cultiva entendimento e compaixão, você tem compaixão e entendimento, a base para sua própria paz, liberdade e felicidade. E para que você cultive entendimento e compaixão, você tem que estar presente. Entender nosso sofrimento, raiva e depressão é muito importante. Estar ciente do sofrimento e entender que nosso sofrimento é a porta para os domínios da felicidade. A menos que você entenda a natureza do sofrimento, a causa do sofrimento, você não verá nenhum caminho que leve à transformação do sofrimento em felicidade.

O Buda falou sobre as Quatro Nobres Verdades. A primeira é estar consciente do sofrimento. Olhando profundamente para a natureza do sofrimento, você encontra a segunda Nobre Verdade: a falta de entendimento, a falta de compaixão.

Há um caminho que leva ao sofrimento: o ignóbil caminho da visão incorreta, do pensamento incorreto, da fala incorreta, da ação incorreta. Há um caminho que leva à felicidade, à cessação do sofrimento: o caminho do pensamento correto, da visão correta, da fala correta e da ação correta. Nós somos capazes de parar, de deixar o caminho do sofrimento e começar a tomar o caminho da felicidade. Todos nós somos capazes de produzir o pensamento correto.

Suponha que você olhe para um monge e tem um pensamento de que talvez ele tenha dito algo para o Thay, e é por isso que o Thay não olhou para você esta manhã. Você sabe que este tipo de pensamento traz sofrimento porque é um pensamento incorreto. Mas se você está atento para o fato de que este pensamento pode levar à raiva, ao desespero e ao ódio, você está livre. Você diz a si mesmo: “Eu tenho que produzir outro pensamento que seja digno de um praticante. Thay pode ter uma percepção errônea e meu respeito, mas como ele é meu professor eu preciso ajudá-lo”.

A verdade é que seu professor pode não ter entendido mal você, mas no caso de ele ter realmente lhe entendido mal, você não se importa porque ele é seu professor. Você pode ajudá-lo a corrigir seu erro de percepção. E com isso você tem paz, tem amor. Este tipo de pensamento traz felicidade. Você não é uma vítima de seu pensamento.

Se você aprende a olhar as pessoas e a pensar deste modo, você sofrerá menos no mesmo instante. Você olha para seu parceiro, seu filho, sua filha, seu pai, com olhos de compaixão e entendimento. Mesmo que você veja um defeito naquela pessoa, mesmo que aquela pessoa tenha dito ou feito algo que o faz sofrer, você dirá que ele ou ela é uma vítima de percepções incorretas e você precisa ajudá-lo ou ajudá-la. Este tipo de pensamento irá libertá-lo de seu sofrimento. Você sabe que com a prática do ouvir profundo e da fala amorosa, pode ajudá-lo a corrigir a percepção incorreta. (...)

Talvez a resolução que você queira fazer hoje, no último dia do ano de 2005, seja: “Eu decido que no próximo ano, começando amanhã, eu irei aprender a produzir pensamentos positivos e praticar o pensamento correto. Eu quero que meu pensamento vá na direção do entendimento e da compaixão. Mesmo que a pessoa na minha frente não esteja feliz, que esteja agindo e falando a partir de uma base de sofrimento, eu ainda sou capaz de produzir pensamentos na linha do pensamento correto.

E quando você faz tal resolução, está fazendo baseado na visão correta, porque ela é o fundamento do pensamento correto.

A visão correta nos diz que todos sofrem. E se as pessoas não sabem como lidar com seu sofrimento, dirão coisas ou farão coisas que fazem com as pessoas a seu redor sofram. Como um praticante, você não tem que sofrer, mesmo que a ação ou fala de outra pessoa seja negativa. Se você for capaz de tocar a compaixão e a visão correta dentro de você, você não sofrerá. Se você disser: “bom, eu tenho que ajudá-lo. Eu não quero puni-lo, eu quero ajudá-lo”. Este é o pensamento correto. E o pensamento correto faz com que você se sinta muito, mas muito melhor. Ele tem um efeito positivo na sua saúde e na saúde do mundo.

Então eu faço o voto: “decido que amanhã, no início do ano de 2006, eu farei meu melhor para praticar o pensamento correto”. O pensamento correto consolida sua visão correta. A fala correta também ajuda você a consolidar sua visão correta.

O que é a visão correta? Quando você está totalmente presente no aqui e no agora, e observa seus pensamentos, sentimentos e emoções, você reconhece que eles são pensamentos, sentimentos e emoções; eles não são a realidade. Você não é absorvido por eles. Você mantém sua liberdade, e isso é muito importante. Mesmo se um pensamento negativo surgir, você está totalmente presente no aqui e no agora. Se você se lembrar que seu pensamento é apenas um pensamento, isso permitirá que sua sabedoria, sua compaixão seja acionada para ajudar você. Isso o manterá livre.

O Buda é alguém feito de plena consciência, concentração, e insight. Plena consciência, concentração, e insight te trazem liberdade. A prática da plena consciência o ajuda a viver sua vida. Plena consciência nos permite reconhecer os pensamentos negativos e tocar as coisas positivas, e nós podemos abrir a porta do Reino de Deus em nós. É possível para nós tocarmos as maravilhas do Reino de Deus todo dia. A chave para o Reino é ficar presente no aqui e no agora, e permitir a nós mesmos o tempo entrarmos em profundo contato com o que está acontecendo e não reagir de imediato do modo como sempre fizemos.

Há muitas coisas concretas que podemos fazer que poderão nos trazer muita felicidade e liberdade. Quando eu andar, eu ando de tal modo que cada passo pode me trazer liberdade. Eu não me perco andando. Eu não me perco no passado ou no futuro ou em meus projetos enquanto estou andando. Enquanto estiver andando, quero provar as maravilhas da vida, as maravilhas do Reino de Deus. Há aqueles entre nós que são capazes de andar deste modo.

Enquanto estiver respirando, seja em uma posição sentado seja em uma posição de pé, nós podemos respirar de tal modo que reconhecemos que estamos vivos, que estamos presentes. Nós podemos entrar em contato com as maravilhas da vida.

Enquanto estivermos comendo, sabemos que estamos totalmente presentes. Somos nós que realizamos o trabalho de comer e não a máquina. Nós não estamos no piloto automático. Estamos vivendo de modo consciente.

O maior sucesso, o mais significativo tipo de sucesso é a liberdade. Nós temos que lutar por nossa liberdade. E não é indo para algum lugar, ou para o futuro, que temos liberdade; é exatamente no aqui e agora. O modo de começar é ficar presente, ficar vivo, ser você mesmo em todos os momentos.

Quando você escova seus dentes, por exemplo, você pode escolher escová-los de tal modo que a liberdade, alegria e felicidade sejam possíveis. Você pode estar no Reino de Deus escovando seus dentes, ou você pode estar no inferno escovando seus dentes. Isso depende do modo como você vive sua vida.

Liberdade é o solo para a felicidade, e o caminho da liberdade é o caminho da plena consciência. A prática da plena consciência como é apresentada em Plum Village é aprender como viver inteiramente presente a cada momento de sua vida diária. Este tipo de treinamento deve continuar se você não quiser cair no abismo do sofrimento e da depressão.

Porque temos uma Sangha que pratica viver em plena consciência, somos sustentados pela Sangha. A Sangha que está praticando plena consciência, concentração e liberdade, carrega dentro dela a presença do Buda e a presença da Terra Pura do Buda, o Reino de Deus.

Enquanto estamos reunidos nesta véspera de Ano Novo, nós percebemos que a Sangha está sempre lá para nós. Nós podemos nos refugiar na Sangha. Refugiar-se na Sangha significa refugiar-se no Buda, no Dharma. Isso significa viver sempre na Terra Pura do Buda, no Reino de Deus.

(Palestra do Dharma da véspera de Ano Novo por Thich Nhat Hanh -31 de dezembro de 2005)

Traduzido por Letícia Rothen


Sobre Thich Nhat Hanh

Monge budista vietinamita, poeta e ativista dos direitos humanos. É o autor de mais de 60 livros. No ano de l967, devido ao seu imenso esforço e pregação sem violência, pela reconciliação entre o Vietnam do Norte e o do Sul, ele foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz por Martin Luther King, Jr.
Em 1969, Thich Nhat Hanh chefiou a Delegação Budista Vietnamita da Paz na Conferência de Paz em Paris e após a Assinatura do Acordo de Paz, quando tentou retornar ao país, não mais foi permitido seu ingresso no Vietnam, e até hoje ele vive em exílio na França.
Em 1982, tendo como colaboradora a monja Chân Không, sua colega de muitos anos, fundou Plum Village, uma comunidade budista para monges e monjas, situada próxima a cidade de Bordeaux, no sudeste da França, onde ensina a "Arte de Viver em Plena Consciência". Em seus retiros participam a cada ano milhares de pessoas, procedentes de todas as partes do mundo. É autor de inúmeros livros sobre meditação, cura e transformação, e também inúmeros poemas e dirige retiros em vários lugares do mundo. Thay, como seus estudantes carinhosamente o chamam, continua a ensinar budismo engajado, responsabilidade social e dissolução da violência através da prática do viver consciente.
Quando ainda no Vietnã, exerceu o principal papel no "budismo engajado" - renovação religiosa da qual foram gerados inúmeros projetos, combinando ajuda às vítimas e oposição não violenta à guerra. 'Budismo engajado", como era conhecido esse movimento, segundo palavras do próprio Thich Nhat Hanh, "é um termo redundante, já que budismo significa estar consciente, estar desperto para o que está acontecendo no seu próprio corpo, sentimentos e mente, como também no mundo que o cerca. Se você está desperto, não pode agir de outra forma senão compassivamente para aliviar o sofrimento que vê ao redor.
O budismo é, portanto, implicitamente engajado. Se não é engajado, não é budismo".

http://www.viverconsciente.com/

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Dieta Para Um Planeta Consciente

Neste texto Thich Nhat Hanh ensina que somos o que consumimos. Se olharmos profundamente para o quanto e quais itens consumimos diariamente, iremos conhecer muito bem a nossa própria natureza. Ignoramos a regra da moderação e a nossa forma de comer e produzir alimento pode ser muito violenta para outras espécies, para os nossos próprios corpos e para a Terra.


Buda uma vez contou a seguinte estória aos monges dele:

Um casal e o seu filho mais novo estavam cruzando um vasto deserto a caminho de buscarem asilo em outra região. Mas eles não tinham planejado bem e, no meio do deserto, estavam somente na metade do caminho quando ficaram sem comida. Percebendo que todos os três iriam morrer no deserto, os pais tomaram uma decisão horripilante: matar e comer o próprio filho. Toda manhã eles comiam um pedacinho da carne do filho, o suficiente para ter energia de caminhar um pouco mais adiante, o tempo todo chorando. “Onde está o nosso garotinho?” Eles carregavam o restante da carne do filho nos ombros, para que continuasse secando ao sol. Toda noite o casal olhava um para o outro e perguntava: “Onde o nosso amado filho está agora?” E choravam e puxavam os cabelos, e consternados batiam no peito. Finalmente, eles foram capazes de cruzar o deserto e chegar à nova terra.

Quando Buda terminou de contar esta estória, perguntou aos monges: “Vocês acham que este casal gostou de comer a carne do filho deles?”

“Não,” responderam os monges. “Esses pais sofreram terrivelmente quando tiveram que ingerir a carne do filho.” Então Buda disse: “Nós temos que praticar nos alimentando de um modo tal que retenha compaixão em nosso coração. Temos que comer em estado de consciência plena. Senão comeremos a carne de nossos próprios filhos.”

No Sutra “A Carne do Filho”, Buda nos ensina a praticar o consumo consciente para preservar o nosso futuro. O nosso futuro pode ser sempre vislumbrado em nosso presente. Se o presente parecer de um jeito, o futuro provavelmente parecerá o mesmo, pois o futuro é feito do presente. Portanto, para salvaguardarmos nosso futuro temos que fazer mudanças no presente. Se aplicarmos o Sutra “A Carne do Filho” em nosso cotidiano, seremos capazes de nos salvar e salvar o nosso planeta.

A situação em que a Terra se encontra hoje foi construída pela produção inconsciente e pelo consumo inconsciente. Estamos violentando nossos lares e estamos nos defrontando com o aquecimento global e mudanças climáticas catastróficas. Criamos um ambiente que é conducente à violência, ódio, discriminação e desespero.

No mundo moderno as pessoas pensam que os seus corpos lhes pertencem, e que elas podem fazer o que quiserem consigo mesmas. “Temos o direito de viver nossas próprias vidas,” dizem elas. A lei apóia tal declaração; esta é uma das manifestações do individualismo. Mas de acordo com o ensinamento de Buda, o seu corpo não é seu. O seu corpo pertence aos seus ancestrais, aos seus pais e às futuras gerações. Ele também pertence à sociedade e a todos os outros seres vivos. Todos eles se reuniram – as árvores, as nuvens, o solo, tudo – para trazer a presença deste corpo. Nossos corpos são como a Terra. E existe a Bodisatva Portadora da Terra, sustentando tudo em conjunto.

Manter o seu corpo saudável é uma forma de expressar gratidão e lealdade a todo o cosmos, a todos os ancestrais e futuras gerações. Se formos saudáveis, todos podem se beneficiar disso – não apenas os seres humanos, mas também os animais, plantas e minerais. Este é um preceito do bodisatva. Quando praticamos os cinco treinamentos da consciência plena nós já estamos no caminho de um (a) bodisatva.

Nós somos o que consumimos. Se olharmos profundamente para o quanto e quais itens consumimos diariamente, iremos conhecer muito bem a nossa própria natureza. Temos que comer, beber e consumir, mas se fizermos isto irrefletidamente, podemos destruir nosso corpo e nossa consciência, demonstrando ingratidão para com os nossos ancestrais, nossos pais e futuras gerações. Todos nós sabemos que às vezes abrimos o refrigerador e tiramos um item que não é bom para nossa saúde. Somos inteligentes o bastante para reconhecer isto. Mas mesmo assim continuamos e comemos aquilo para tentar cobrir a inquietação dentro de nós. Consumimos para esquecer nossas preocupações e nossas ansiedades. A prática recomendada por Buda é a de que quando um sentimento de ansiedade ou medo surge, não devemos tentar suprimi-lo através do consumo. Ao invés, convidamos a energia da mente consciente a se manifestar. Praticamos caminhando conscientemente e respirando conscientemente para gerar a energia da consciência plena, e solicitamos a esta energia que cuide da energia que está nos fazendo sofrer. Se não praticarmos, não teremos suficiente energia de consciência plena para cuidar do nosso medo, da nossa raiva, e é por isso que consumimos para reprimir tais energias negativas.

Buda recomenda que cada monge e monja tenham uma tigela para levar à ronda da mendicância. O termo budista para a tigela de mendicância é “recipiente de medida apropriada”. Visto que a tigela é exatamente do tamanho correto, sempre sabemos o quanto comer. Nunca comemos demais, porque comer muito trás doença aos nossos corpos. Obesidade se tornou um imenso problema de saúde na sociedade ocidental, enquanto povos nos países pobres não têm o suficiente para comer.

Ignoramos a regra da moderação. Consciência plena da alimentação nos ajuda saber o que e o quanto devemos comer. Devemos nos servir somente do que podemos comer. Eu sugiro, para a maioria de nós, que nos sirvamos menos do que estamos habituados a comer diariamente. Vemos que pessoas que consomem menos são mais saudáveis e mais alegres, e àquelas que consumem muito podem sofrer muito profundamente. Se mastigarmos cuidadosamente, se comermos somente o que é saudável, não iremos levar doenças para dentro de nossos corpos e mentes. Não iremos comer a carne dos nossos ancestrais, filhos e netos.

Quando comemos com a mente consciente, estamos em contato íntimo com a comida. O alimento que comemos chega até nós a partir da natureza, dos seres vivos e do cosmos. Tocá-la com a nossa total consciência é mostrar nossa gratidão. Comer conscientemente pode ser uma grande alegria. Nós pegamos a comida com o nosso garfo, olhamos para ela por alguns instantes antes de colocá-la na boca, e então a mastigamos cuidadosamente e conscientemente, pelo menos cinqüenta vezes. Praticando desta forma, estamos em contato com todo o cosmos.

Existem tipos de alegria que podem ser nutritivas e saudáveis, trazem-nos calma, conforto e nos deixam cheios de paz e frescor, e nos ajudam a permanecer claros e lúcidos. Este é o tipo de alegria que precisamos. Existem outros tipos de alegria que podem nos trazer muito sofrimento posterior: a alegria de ingerir alimentos prejudiciais à saúde, bebidas alcoólicas, doces em demasia, que trazem toxinas para dentro do nosso corpo. Temos que distinguir entre estes dois tipos de alegria. Uma é saudável e nutritiva e a outra destrutiva.

O alimento que comemos pode revelar a interconexão do universo, da Terra, de todos os seres vivos e de nós mesmos. Cada mordida no vegetal, cada gota de molho de soja, cada pedaço de tofu contém a vida do sol e da Terra. Podemos ver e provar todo o universo em um pedaço de pão! Podemos ver o significado e valor da vida nestes preciosos pedacinhos de comida.

Ter a oportunidade de sentar com a família e amigos e saborear um magnífico alimento é algo precioso, algo que nem todo mundo tem. Muitas pessoas no mundo estão passando fome. Quando eu seguro uma tigela de arroz ou um pedaço de pão, sei que sou afortunado e sinto compaixão daqueles que não têm o que comer e estão sem amigos ou família. Esta é uma prática muito profunda. Não precisamos ir a um templo ou uma igreja para praticar isto. Podemos praticar isto à nossa mesa de jantar. Comendo conscientemente podemos cultivar as sementes da compaixão e compreensão que fortalecerão nossa determinação de fazer algo para ajudar a nutrir as pessoas famintas e solitárias.

Uma coisa que podemos fazer é considerar o quanto de carne nós consumimos. Por mais de dois mil anos, muitos budistas têm sido vegetarianos com o propósito de nutrir compaixão pelos animais. Agora nós também descobrimos que mudar para uma dieta vegetariana pode ser uma das maneiras mais efetivas de lutarmos contra a fome mundial e o aquecimento global. A prática de criar animais para alimentação tem criado alguns dos piores prejuízos ambientais no planeta e é responsável por um quarto das emissões de gás do efeito estufa.

A nossa forma de comer e produzir alimento pode ser muito violenta para outras espécies, para os nossos próprios corpos e para a Terra. A Mãe Terra sofre profundamente por causa da maneira como nos alimentamos. Animais criados para abate é a maior fonte mundial de poluição de água; os dejetos das fábricas das fazendas e açougues escorrem para nossos rios, córregos e água potável. Somente nos Estados Unidos centenas de milhões de acres de florestas foram devastadas para plantar milho para alimentar animais de criação. As preciosas florestas tropicais que mantém o frescor do nosso planeta e provêm moradas para a maioria das espécies de plantas e animais da Terra estão sendo queimadas e limpas para criar terras de pastos para o gado.

Grande parte dos milhões de toneladas de grãos que plantamos não é usada para alimentar as pessoas, mas sim para criar gado para o abate e para produzir bebidas alcoólicas. Uma agência de proteção ambiental relata sobre a produção da agricultura de milho nos Estados Unidos no ano 2000 que de acordo com a National Corn Growers Association, cerca de 80% de todo milho plantado nos Estados Unidos é consumido pelos semoventes de fazendas ou granjas de criação nacionais e estrangeiras, produção de aves domésticas e peixe.3 Quando você segura um pedaço de carne e olha profundamente para ela, verá que uma quantidade imensa de grãos e água foi usada para fazer aquele único pedaço de carne. Uma enorme quantidade de grãos e água também é usada para fazer álcool. Todo dia dezenas de milhares de crianças morrem de fome e desnutrição; aquele grão poderia alimentá-las. Quando ingerimos bebida alcoólica em estado de consciência plena, compreendemos que estamos bebendo o sangue de nossos filhos. Estamos comendo nossos filhos, nossa mãe e o nosso pai. Estamos devorando a Terra.

Temos que pressionar as indústrias de semoventes para mudarem. Se pararmos de consumir elas pararão de produzir. Ao comer carne nós compartilhamos a responsabilidade de causar mudança climática, as destruições das florestas, e envenenamento do nosso ar e água. O simples ato de se tornar um vegetariano pode fazer uma diferença na saúde de nosso planeta. Se você não consegue parar completamente de comer carne, você ainda assim pode decidir se esforçar para diminuir. Retirando carne da sua dieta por dez ou mesmo cindo dias por mês, você já estará realizando um milagre – um milagre que ajudará a resolver o problema da fome nos países em desenvolvimento e reduzir dramaticamente os gases do efeito estufa.

A cada refeição, fazemos escolhas que ajudam ou prejudicam a Mãe Terra. “O que devo comer hoje?” é uma pergunta profunda. Pode ser que você queira fazer esta pergunta a si mesmo toda manhã. Você pode descobrir que, na medida em que pratica o consumo consciente e começa a olhar profundamente para o que come e bebe, o seu desejo por carne e bebida alcoólica diminuirá.

Em muitas tradições budistas, monges e monjas são vegetarianos. Muitos praticantes budistas laicos na China e Vietnã também são vegetarianos e existem outros que se abstém de comer carne dez dias por mês. Eu recomendo veementemente a todos que cortem os seus consumos de carne ao menos pela metade. Durante as minhas mais recentes visitas aos Estados Unidos, muitos praticantes budistas americanos me disseram que eles tinham se comprometido a parar de comer carne ou a comer cinqüenta por cento menos. Este é um despertar coletivo que já está acontecendo. Se conseguirmos assumir o compromisso de nos tornar vegetarianos, ou parcialmente vegetarianos, sentiremos bem-estar – teremos paz, alegria e felicidade desde o momento em que assumimos este compromisso. Nosso despertar coletivo pode criar mudanças no mundo inteiro.

Temos que praticar o consumo consciente para nos proteger, proteger nossas famílias, sociedades e planeta. Crianças, professores e pais todos podem praticar o consumo consciente. Os líderes de organizações e comunidades podem praticar o consumo consciente e encorajar outras pessoas a seguir seus exemplos. Se você fosse um Prefeito, iria querer proteger as pessoas da sua cidade do consumo irrefletido que traz mais violência e sofrimento para a sua cidade. Até o presidente da nação mais poderosa do mundo pode ser encorajado a consumir mais conscientemente. Até o presidente tem natureza búdica – a semente da compreensão e compaixão – em algum lugar dentro dele.

Quando somos capazes de sair da casca do nosso pequeno eu e ver que estamos inter-relacionados com todos e com tudo compreendemos que todos os nossos atos afetam toda humanidade e todo o cosmos. Manter o seu corpo saudável é um ato amoroso dirigido aos seus ancestrais, aos seus pais, futuras gerações e sociedade. Saúde não significa apenas saúde física, mas também saúde mental. Consumo consciente traz saúde e cura para nós mesmos e para o nosso planeta.

(Do livro “The World we Have”, de Thich Nhat Hanh
(Tradução para o português: Tâm Vân Lang - Maria Goretti Rocha de Oliveira)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Ficando Verdadeiramente Vivo

Thich Nhat Hanh neste texto, afirma que três meses é muito se vivermos realmente cada momento em profundidade. O que você está esperando para experimentar. Solte os lamentos do passado e suas expectativas, ansiedades e planos de como o futuro deveria ser e mergulhe de cabeça neste momento percebendo quanta coisa está na sua frente hoje e somente hoje disponível para sua felicidade. Talvez amanhã isso não exista mais e você terá algo mais para se lamentar.



O que você faria se um médico te dissesse que você tem apenas três meses de vida? Você perderia este tempo lamentando seu destino? Você se entregaria à dor e ao desespero? Ou resolveria viver cada momento desses três meses de uma maneira profunda? Se você fizer isso, três meses de vida é muito.

Cerca de vinte anos atrás, um jovem veio até mim e disse exatamente isso – ele tinha apenas três meses de vida. Eu pedi que ele se sentasse e tomasse uma xícara de chá. “Meu amigo”, eu disse a ele, “você deve viver este momento que temos juntos de uma maneira profunda.”

Um dia é muito. Um piquenique dura apenas metade do dia, mas você pode vivê-lo plenamente, com muita felicidade. Portanto e porque não três meses? Sua vida é um tipo de piquenique e você deveria arrumá-lo de forma inteligente.

Alguém que conheço, uma vez disse a seu professor de budismo, “Mestre, eu gostaria de ir a um piquenique com você.”  O professor estava muito ocupado e, portanto respondeu. “Claro, claro, iremos a um piquenique um dia desses.” O tempo passou e cinco anos depois eles ainda não tinham ido a um piquenique.

Um dia o professor e o discípulo estavam resolvendo algum assunto juntos, e eles se encontraram no meio de um engarrafamento. Havia tantas pessoas na rua que o mestre perguntou ao discípulo: “O que estas pessoas estão fazendo?” O discípulo viu que era uma procissão de funeral. Ele virou ao mestre e disse, “Eles estão tendo um piquenique.”

Não espere para começar a viver. Viva agora! Sua vida deveria ser real neste exato momento. Se você viver assim, três meses é muito! Você pode viver cada momento de cada dia profundamente, em contato com as maravilhas da vida. Então você aprenderá a viver e, ao mesmo tempo, aprenderá a morrer. Uma pessoa que não sabe como morrer, não sabe como viver e vice-versa. Você deveria aprender a morrer – a morrer imediatamente. Esta é a prática.

Você está pronto para morrer agora? Você está pronto para organizar suas atividades de forma que possa morrer em paz esta noite? Isto pode ser um desafio, mas esta é a prática. Se você não fizer isso, será sempre atormentado pelo sentimento de perda. Se você não quer sofrer, se não quer ser atormentado pelo sentimento de perda, a única solução é viver cada minuto que tem de uma maneira profunda. Isto é tudo que se tem para fazer. A única maneira para se lidar com a insegurança, medo e sofrimento é viver o momento presente de uma maneira profunda. Se você fizer isso, não terá lamentos.

Foi isto que o jovem que tinha apenas três meses de vida fez. Ele decidiu viver cada momento da vida dele de uma maneira profunda. Quando ele começou a fazer isso, sentiu as fontes do desespero o deixando e ele voltou ao seu centro. Foi um milagre. Embora seu médico tenha pronunciado uma espécie de sentença de morte, ele viveu outros quinze anos. Eu dei a ele o nome de Dharma Chân Sinh, que significa “vida verdadeira”. Antes que dissessem a ele que iria morrer, ele não sabia o que era a vida real. Mas depois que isso aconteceu, ele aprendeu o que era a vida real, porque estava presente para cada momento de cada dia.

Albert Camus no seu romance “O Estranho”, usou o termo “o momento de consciência”. Quando o protagonista do romance, Meursault, sabe que será executado pelo assassinato que cometeu, ansiedade, medo e raiva nasceram nele. Em desespero, ele estava deitado na sua cama na prisão olhando para o teto quando, pela primeira vez, quando ele vê o quadrado de céu azul através da luz do céu. O céu é tão azul – era a primeira vez na sua vida que ele tinha profundo contato com o céu azul. Ele já tinha vivido por décadas sem realmente nunca ter visto isto. Talvez ele tenha olhado para o céu de vez em quando, mas não o tinha visto de uma maneira profunda. Agora, três dias antes de sua morte, ele era capaz de tocar o céu azul de uma maneira verdadeira e profunda. O momento de consciência se manifestou.

Meursault decidiu viver cada minuto que ainda tinha plenamente e profundamente. Aqui está um prisioneiro que está praticando meditação profunda. Ele vive seus últimos três dias na sua cela dentro do quadrado de céu azul. Esta é a sua liberdade. Na tarde do último dia, um padre católico vem à cela de Meursault para lhe dar os últimos ritos, mas ele recusa. Ele não quer perder as poucas horas que tem falando com o padre, e não o deixa entrar. Ele diz: ”O padre está vivendo como um morto. Ele não está vivendo como eu, eu estou verdadeiramente vivo.”

Talvez estejamos também vivendo como mortos. Nos movemos pela vida nos nossos próprios cadáveres porque não tocamos a vida em profundidade. Vivemos um tipo de vida artificial, com muitos planos, muitas preocupações e raiva. Nunca somos capazes de nos estabelecer no aqui e agora e viver nossas vidas profundamente. Temos que acordar! Temos que fazer o possível para o momento de consciência se manifestar. Esta é a prática que irá nos salvar – esta é a revolução.

O momento mais maravilhoso da sua vida já aconteceu? Se pergunte isso. A maioria de nós responderá que não aconteceu ainda, mas que poderá acontecer a qualquer momento. Não importa a nossa idade, tendemos a sentir que o momento mais maravilhoso de nossa vida não aconteceu ainda. Tememos que seja muito tarde, mas estamos ainda esperando. Mas a verdade é que se continuarmos a viver no esquecimento – isto é sem a presença da plena consciência – este momento nunca acontecerá.

O ensinamento do Buda te diz claramente e plenamente para fazer deste o momento mais magnífico e maravilhoso da sua vida. Este momento presente deve se tornar o mais maravilhosos da sua vida. Tudo que você precisa para transformar este momento em uma maravilha é liberdade. Tudo que você precisa é libertar a si mesmo de suas preocupações sobre o passado, futuro e tudo mais.

O profundo insight da impermanência é o que nos ajuda a fazer isto. É muito útil manter viva nossa concentração na impermanência. Você pode pensar que a outra pessoa na sua vida estará presente para sempre, mas isto não é verdade. Esta pessoa é impermanente, assim como você. Portanto se você pode fazer algo para deixar esta pessoa feliz, deveria fazer imediatamente. Qualquer coisa que você possa dizer ou fazer que a deixe feliz – diga ou faça agora! É agora ou nunca.

Na prática do budismo, morrer é muito importante. É tão importante quanto viver. Morrer é tão importante quanto nascer, porque nascimento e morte intersão. Sem nascimento, não poderia haver morte. Sem morte não poderia haver nascimento. Nascimento e morte são amigos próximos e a colaboração entre os dois é necessária para a vida ser possível.

Portanto não tenha medo da morte. Morte é apenas uma continuação assim como o nascimento. A cada momento, a morte está acontecendo no seu corpo – algumas células estão morrendo de forma que outras possam nascer. Morte é indispensável à vida. Se não houvesse morte, não haveria nascimento, assim como não poderia haver esquerda se não houvesse a direita. Não mantenha esperanças que a vida seja possível sem morte. Você deve aceitar a ambos.

Se você praticar bem, pode ganhar um insight profundo da dimensão última, a dimensão absoluta, enquanto permanece em contato com a dimensão histórica, relativa. E quando você estiver em contato profundo com a dimensão histórica, também tocará a dimensão última, e verá que sua natureza verdadeira é a do não-nascimento e não-morte.

Viver é uma alegria. Morrer de forma a começar novamente é também uma alegria. Recomeçar é uma coisa maravilhosa, e recomeçamos constantemente. Começar de novo é uma das práticas principais em Plum Village e nós devemos morrer todo dia de forma a nos renovarmos, de forma a termos um recomeço refrescante. Aprender a morrer é uma prática muito profunda.

(Do livro “You are here”, de Thich Nhat Hanh)
(Tradução para o português: Leonardo Dobbin)

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