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domingo, 20 de dezembro de 2015

Deus Não Faz Milagre, Você Faz


Um dos grandes problemas das instituições religiosas é separar o homem de Deus, da consciência universal, da criação ou seja lá o nome que lhe for preferencial. Ao tornar a essência de tudo alheia ao ser humano, as religiões colocam algemas em suas mãos e uma venda em seus olhos, impedindo-o de reconhecer o que está presente em seu interior.

Assim, tudo aquilo que lhe acontece ou poderá acontecer é sempre atribuido ao externo, ou a Deus.
"Se Deus quiser", "Graças a Deus", "Vá com Deus" e "Só Deus Mesmo" são algumas das expressões já impregnadas na sociedade cristianizada. Todavia, ninguém que as fala realmente medita a respeito do que significam em um nível profundo. Tudo é dito de forma compulsória.

Mas qualquer expressão que use do conceito de Deus diz respeito à própria pessoa. Porém, a inconsciência desse fato faz com que ela se sinta impotente, pois o poder, todo o seu poder, é transferido para o exterior.
Pois Deus não é uma pessoa, não é um ser, não é algo intelectualmente interpretável. Deus é a própria criação e nós somos parte dessa criação. De fato, somos Deus observando a si mesmo de determinado ponto de vista, o nosso ponto de vista. Portanto, quando atribuímos a Deus (se o interpretarmos como uma realidade externa) algo que é de nossa própria autoria, estamos aceitando nosso atual estado de animalidade. É aqui que a estagnação (que já acontece há séculos) começa a ocorrer e nos tornamos mais dependentes da matéria.

Quando isso ocorre, deixamos a Unidade e criamos a ilusão do falso eu; uma existência alheia ao próprio universo. Esse falso eu é o que governa o mundo moderno, e como se diz alheio à própria criação, é a única forma de existência que vai contra à natureza, contra o fluxo da vida e contra a abundância.

Apenas o homem é triste, apenas o homem mata conscientemente um semelhante, apenas o homem abdica do próprio poder. Quando o falso eu está no controle, ele distorce a naturalidade da existência.
Mas mesmo na presença dessa sombra, em essência o homem ainda é parte da consciência universal, ele ainda é Deus. E demonstra isso dia após dia de maneira criativa. Todavia é quando o poder transcende a própria materialidade que vemos a divindade em toda a sua expressão.

Cada doença curada, cada sonho realizado, cada feito dito impossível, cada superação, cada criação excelsa, cada ação que demonstra a genialidade é um fator Divino. E ele existe em cada pessoa.

Todos os ditos milagres que acontecem na realidade de alguém não são obras de Deus, mas sim da própria pessoa. A criação e a vida já são os milagres de Deus, mas aquilo que acontece em nossa faixa de realidade só diz respeito a nós, pois nós somos Deus, somos partículas do todo.

Quando digo "Deus não faz milagre, você faz" é para evitar a referência a um ser superior, porém limitado. Uma vez que Deus, como algo subjetivo, faz milagres, você sendo Deus também o faz, e vice-versa.

É preciso então parar de querer interpretar o conceito da criação, de Deus, de maneira puramente intelectual, do contrário ele sempre será externo. Deus só pode ser compreendido quando experienciado de maneira profunda e desprendida, pois só assim podemos voltar a fazer parte do todo, mesmo que de forma passageira.

Apenas alcançando um estado de Nirvana, em que o ego deixa de estar presente e tudo o que há é a Unidade sem personificação, é que se pode compreender o que é Deus.
Então você percebe que Deus não faz milagre, você o faz, pois você é Deus.

Por Marcos Keld 
Fonte: Livro Potencialidade Pura (do próprio autor)


terça-feira, 29 de novembro de 2011

O Verdadeiro Despertar



Não tente medir aquilo que você é ou que pensa ser. Qualquer medição limita-se à forma, e limitado não é o seu verdadeiro Ser. Logo, ao fazer comparações, estipular medidas ou tentar apalpar o indivisível, há a perda da coisa em si. Seria como andar em círculos sem ter a noção do próprio tempo.
A não-forma, embora possa haver fisicalidade envolvida, como o ar que sopra ao nosso redor ou a água que nos sacia a sede, só pode ser medida através de seu reflexo, de sua projeção, como as camadas densas dos elementais citados. Todavia, em sua pureza essencial, em sua natureza divina, a não-forma é intangível e, por isso, incompreensível para a mente egóica.

Buscar tornar-se consciente é aprender a vislumbrar a não-forma. E isso não se dá através dos sentidos básicos, ao contrário, estes somente servem para o limitado e o finito. Compreender aquilo que está além compete à mente profunda, cuja total abstração abrange a própria expansão indeterminada da não-forma. E para que essa mente profunda possa se manifestar no homem, há de se ter humildade e paciência, sem as quais não pode haver qualquer tipo de evolução.

A humildade consiste em reconhecer seu próprio estado limitado, dando abertura para uma superação desta mesma limitação. Mais que isso, somente através da humildade é que a ignorância pessoal pode ser descoberta e definida.

Sem isso, há apenas a constituição do ego-agente que, para todos os meios, jamais poderá permitir a manifestação da mente abstrata, uma vez que ele vê na própria afirmação o princípio de qualquer entendimento. Mas em fato é justamente na não-afirmação do eu que o Verdadeiro Ser manifesta-se.

Já a paciência, mais do que um atributo que permita a constância e a impermanência, é a palavra comum que mais consegue definir aquilo que conhecemos como amor. E quando há a limitação corpórea, mental e emocional, desenvolvê-la passa a ser uma virtude do forte de espírito, do cosmo-agido.

Apenas os fortes têm paciência, apenas os que já se mostram divinos podem demonstrá-la, pois o amor verdadeiro é divino.

Logo, qualquer caminho pavimentado com humildade e paciência leva invariavelmente ao desenvolvimento da mente profunda. E quando esta se faz presente, a não-forma, antes apenas especulativa, torna-se tão concreta quanto qualquer objeto material. Mas sem a limitação que a este compete. Eis então o surgimento daquilo que se conhece como Consciência Pura.

Pois apenas quando a não-forma se faz evidente é que o indivíduo pode compreender tudo aquilo que abrange o seu ponto de vista, agora supraexpandido, tornando-o não apenas um ser humano com tendências espirituais, mas um deus com tendências materiais. E esse é o verdadeiro Despertar.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O Que Fazer Quando Eles Chegarem?



No ano de 1938, o então radialista George Orson Welles, que mais tarde seria responsável por um dos melhores filmes de todos os tempos, Cidadão Kane, produziu uma trasmissão radiofônica chamada "A Guerra dos Mundos" de maneira tão intensa, que provocou pânico nos ouvintes, que pensaram tratar-se de uma verdadeira invasão alienígena. Mas a transmissão fora adaptada do livro homônimo de H.G. Wells, portanto não passando de uma bem sacada, embora um pouco irresponsável, "pegadinha".

Muito se fala sobre extraterrestres hoje em dia, a tal ponto que sua existência tornou-se algo caricata no consciente coletivo. As obras cinematográficas acabaram criando uma aura fantasiosa em torno do assunto que, como sabemos, de fantasia não tem nada. Os motivos para esse estado em que o assunto chegou não será mencionado aqui, pois este texto não trata de conspirações e nem do que ocorre nos bastidores do mundo atualmente, mas de um cenário hipotético de neutralidade de ambas as partes em um possível contato aberto, para que possamos analisar o contexto. Repito, o cenário é hipotético.

Nós sabemos que uma hora nossa civilização sairá do ponto cego do cosmos. Uma hora iremos finalmente entrar em contato oficial com outras civilizações. Quando digo oficial, refiro-me ao acontecimento aberto, para qualquer indivíduo, do mais simples ao mais cético. Não podemos dizer quando isso irá acontecer, podendo ser amanhã ou daqui a quinhentos anos.

Contudo, quando o contato enfim ocorrer, como essa humanidade atrasada e medrosa conseguirá lidar com isso? Sim, pois que somos uma raça atrasada, uma vez que ainda estamos segregados, ainda necessitamos dos sistemas político e monetário, ainda temos religiões, ainda temos líderes corruptos, ainda matamos uns aos outros, ainda deixamos nossos irmãos passarem fome, etc, etc, etc. Portanto, ainda estamos atrasados e ainda estamos cheios de medo.

Então como poderia esta humanidade lidar com outras civilizações? As pessoas comuns infelizmente mal vêem um palmo à frente de seus narizes por causa da engenharia social. E se ainda não sabem quem são, pois não praticam o autoconhecimento, certamente que o encontro com outras formas de vida será de um impacto tremendo para elas, dependendo então de suas crenças ou de seus estados de consciência o modo com que reagirão ao evento.

Os religiosos fanáticos, como já fazem hoje em dia, vão chamar essa civilização extraterrestre de exército de demônios. Os mais simples ficarão com medo, mas podemos dizer que por sua simplicidade, grande parte não vai nem ligar para o que esteja acontecendo neste mundão de Deus. Aliás, Deus ficará em alta nessa ocasião, pois que questionamentos filosóficos serão inevitáveis.

Os céticos ainda ficarão desconfiados, não há de ser de outra maneira. Os políticos logo entrarão com seus jogos diplomáticos, tentando aumentar seus poderes com alianças entre eles e o povo do céu. Os líderes religiosos tentarão a todo o custo serem os primeiros a encontrarem em suas escrituras sagradas algo que ligue suas religiões com os novos visitantes. Os seguidores da nova era possivelmente verão salvadores, mas encontrarão decepção quando descobrirem que não são os escolhidos.

Mas, sem dúvida, os que mais aproveitarão esse possível contato serão os cientistas e ufólogos, pois ambos finalmente irão caminhar juntos. A ciência terá sua prova e a ufologia seu merecido reconhecimento. E isso sim será algo positivo.

Todavia, o cenário pode ser mais complicado. Em 1938 houve pânico nas ruas. E o que a humanidade mudou de lá para cá? Evoluímos em tecnologia e nos direitos humanos, mas no cerne do homem, o que realmente mudou? Quase nada. O mundo apresentado aos olhos ainda é toda a realidade que o indivíduo comum conhece, ainda há os conflitos de interesse, de crenças e de filosofias; ainda há separações por cores de pele, por culturas e nações; ainda há muitas coisas a serem resolvidas.

Compreender que não estamos sós, não apenas de uma maneira teórica, mas ao vivo, vendo com os próprios olhos, causará no ser humano uma grande transformação intelectual e espiritual. Os que não estiverem preparados ficarão confusos, amendrotados e perderão seus rumos. Para aqueles que conseguirem lidar com isso, será uma grande oportunidade de evoluírem de maneira mais profunda.

Mas é preciso pôr os pés no chão. A humanidade como um todo não irá mudar de uma hora para outra. Tudo continuará como antes, contas e impostos a pagar, crianças passando fome, assaltos e sequestros, jogos de futebol domingo à tarde na televisão, etc, etc, etc. Todavia, o horizonte irá se ampliar. O que antes era um mundo limitado, tornar-se-á algo maior e isso sim irá causar uma mudança na forma como o homem encara a si mesmo e o mundo ao redor.

Não sabemos como a humanidade estará daqui a duzentos, trezentos anos, mas se esse contato se der no tempo de nossas vidas, esse é o cenário mais visível que podemos encarar. Afinal, não teremos amor em nossos corações para oferecer aos novos visitantes. Então, ofereceremos o que tivermos: crenças religiosas, condicionamentos psicológicos, egocentrismos filosóficos e intelectuais, patifarias políticas, desarranjos sociais, mentalidades bélicas, dramalhões socialistas, mediocridades capitalistas, desrespeitos pela própria espécie, entretenimentos fúteis, celebridades sem conteúdo, programas de televisão... etc... etc... etc...

Então, há a pergunta: o que fazer quando eles chegarem? Nada, pois que nada irá mudar a não ser possivelmente no íntimo de cada um. Não há de se ter medo, não há de se ter esperança, não há de se ter nenhuma ideia pré-concebida. Apenas aprenda a amar e a tolerar as pessoas, aprenda a amar a si mesmo. Descubra quem você realmente é. Sabendo quem você realmente é, nada mais lhe será exigido para lidar com essa nova realidade.

A humanidade irá ampliar sua visão, todavia apenas ela pode libertar-se dos grilhões do medo e da ilusão de si mesma. Não estamos sozinhos no universo, mas nossa evolução só depende de nós. Enquanto o homem não aprender a amar seu semelhante e a tolerar suas diferenças, as coisas continuarão do jeito que estão.

É preciso parar de olhar para o céu, e começar a olhar para dentro de si mesmo.



*Postagem meramente especulativa visando a compreensão a respeito de como nossa sociedade se comportaria em um cenário no qual ela não seria mais a única presente. Qualquer menção a fenômenos ufológicos não deve ser levada a sério, a não ser para a compreensão do presente texto.

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