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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Nada mais me prenderá - Krishnamurti



"Por muitas vidas vi passar o frígido inverno e a verde primavera.
Aprisionado em minha pequena alcova,
Eu não via a árvore inteira e todo o céu
Para mim, era aquela a Verdade.

Com a ação destruidora do tempo,
Minha janela cresceu.
E contemplei então
Um ramo com muitas folhas
E uma vasta expansão do céu, com muitas nuvens,
Esqueci a folha verde solitária
e aquela nesga de imensidão azul.
Jurava que não existia a árvore, nem o céu imenso
Para mim, era aquela a Verdade.

Cansado da prisão,
Da estreita cela,
Revoltei-me contra minha janela,
Com os dedos a sangrar.
Arranquei tijolo após tijolo,
Contemplei então
A árvore inteira, seu tronco majestoso,
Seus ramos numerosos, suas miríades de folhas,
E uma imensa parte do céu.
Jurava que não existia outra árvore,
nem outra parte do céu
Era aquela a Verdade.

Aquela prisão já não me retém,
Saí a voar, através da janela,
Ó amigo,
Agora contemplo todas as árvores
E a vastidão do céu sem limites.
E embora eu viva em cada folha
E em cada nesga do vasto céu azul,
Embora eu viva em cada prisão,
a espreitar por estreitas frestas,
Sou livre.
Não! Nada mais me prenderá
Esta é a verdade."

J. Krishnamurti


http://ventosdepaz.blogspot.com.br/2011/10/nada-mais-me-prendera-krishnamurti.html


sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O direito ao delírio

Arte de Erial Ali


O texto a seguir é de Eduardo Galeano, jornalista e escritor uruguaio.


“Ainda que não possamos adivinhar o futuro, sim, temos ao menos o direito de imaginar como queremos que seja. Em 1948 e em 1976, as Nações Unidas proclamaram extensas listas de direitos humanos; mas a imensa maioria da humanidade não tem mais do que o direito de ver, ouvir e calar. Que tal se começarmos a exercer o jamais proclamado direito de sonhar? Que tal se delirarmos, um pouquinho? Vamos a fixar os olhos mais além da infâmia, para adivinhar outro mundo possível.

- O ar das ruas limpo de todo o veneno que não venha dos medos e das paixões humanas;

- Os carros sendo esmagados pelos cães;

- As pessoas não mais dirigidas pelos carros, nem programadas pelo computador, nem compradas por supermercados, nem também assistidas pela TV;

- A TV deixará de ser o membro mais importante da família e será tratada como um ferro de passar ou máquina de lavar roupa;

- Será incorporado aos códigos penais o crime de estupidez para aqueles que cometem: viver para ter ou para ganhar ao invés de viver para viver simplesmente, assim como canta o pássaro sem saber que canta e como brinca a criança sem saber que brinca;

- Os historiadores não mais acreditarão que os países gostam de ser invadidos;

- Os políticos que os pobres adoram comer promessas;

- Ninguém viverá para trabalhar, mas todos trabalharão para viver;

- Os economistas não chamarão mais o nível de vida de nível de consumo e nem chamarão de qualidade de vida a quantidade de coisas acumuladas;

- Os cozinheiros não mais acreditarão que as lagostas amam ser fervidas vivas;

- A morte e o dinheiro perderão seus poderes mágicos e nem por falecimento e nem por fortuna um canalha se tornará um virtuoso cavalheiro;

- Ninguém levará a sério alguém que não seja capaz de tirar sarro de si mesmo;

- O mundo não estará em guerra contra os pobres, mas contra a pobreza e a indústria militar não terá escolha a não ser declarar falência;

- Nenhum país irá prender os rapazes que se recusarem a cumprir o serviço militar, mas aqueles que quiserem podem servi-lo;

- A comida não será uma mercadoria nem a comunicação um negócio porque a comida e a comunicação são direitos humanos;

- Ninguém morrerá de fome;

- As crianças de rua não serão mais tratadas como lixo, porque não haverá mais crianças de rua, as crianças ricas não serão tratadas como se fossem dinheiro, porque não haverá mais crianças ricas;

- A educação não será privilégio daqueles que podem pagá-la;

- A polícia não será a maldição de quem não possa comprá-la;

- A justiça e a liberdade, irmãs siamesas condenadas a viver separadas, serão novamente juntas de volta, bem grudadinhas, costas com costas;

- Na Argentina, as “Loucas de la Plaza de Mayo” serão um exemplo de saúde mental porque elas se negaram a esquecer nos tempos de amnésia obrigatória;

- A Santa Madre Igreja corrigirá algumas erratas das tábuas de Moisés, e o sexto mandamento mandará festejar o corpo, a igreja também ditará outro mandamento que Deus havia esquecido: “amaras a natureza da qual fazes parte”;

- Serão reflorestados os desertos do mundo e os desertos da alma;

- Os desesperados serão esperados e os perdidos serão encontrados, porque eles se desesperaram de tanto esperar e se perderam de tanto procurar;

- Seremos compatriotas e contemporâneos de todos os tenham vontade de beleza e vontade de justiça, tenham nascido onde tenham nascido e tenham vivido quando tenham vivido, sem se importarem nem um pouquinho com as fronteiras do mapa e ou do tempo,

- Seremos imperfeitos porque a perfeição continuará sendo um chato privilégio dos Deuses;

- Neste mundo trapalhão, seremos capazes de viver cada dia como se fosse o primeiro e cada noite como se fosse a última.”

Eduardo Galeano


A UTOPIA é como o horizonte.
Nós o vemos ao longe,
nunca o alcançaremos,
mas serve para que
continuemos a caminhar.
(Fernando Berri)

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

São Francisco de Assis e as dádivas da natureza

EU SOU a infinita gratidão pelas dádivas da natureza e dos seres elementais, dos reinos mineral, vegetal e animal.

Eu agradeço a esses Seres sem livre arbítrio, pois sem eles nenhum ser humano teria vida sobre a Terra. Em nome de todos os homens eu peço perdão pelos erros cometidos pela humanidade a todos vocês, meus queridos irmãos.



Os animais e a natureza são pouca coisa para o homem, quando o próprio homem é pouca coisa.


segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Foi tudo um sonho...


"Pense sobre os acontecimentos que lhe ocorreram há dez anos atrás. O que restou deles, todo sofrimento e desgosto, toda alegria e afeição? Para onde foi tudo isso? Tudo isso desapareceu, assim como se nunca tivesse existido.

A mesma coisa está acontecendo com a sua experiência de hoje. Neste exato momento, suas experiências particulares chegam e quase instantâneamente desaparecem.

Quando a morte acontecer ao seu corpo, em que terá se transformado toda sua vida? Em que se transformará toda sua vida, suas experiências, todas as suas preocupações, prazeres, tudo? A resposta é Zero. Nada acontece, é como se nada tivesse acontecido. Foi tudo um sonho.

Somente o imutável profundo, sobre o qual todas as experiências aparecem e desaparecem é que é real, é que permanece intocável.

Se você fosse uma onda no oceano e começasse a pensar em si mesmo como um indivíduo separado, você iria viver na superfície e ser chicoteado, perdendo contato com a sua realidade que é a água. Isso é o que acontece com a mente ignorante. Ela não está separada de Deus, a consciência universal, mas ela pegou a idéia de que é separada.
Enquanto esta ilusão persistir, a mente continuará a aparecer para levá-lo para fora da realidade.

Realidade é a consciência absoluta, mas não pode perceber-se porque é Um. Para que o conhecimento absoluto perceber-se, deve então manifestar-se e tornar-se dois.

O mundo é o reflexo do Absoluto. Assim, o Absoluto tem a capacidade de ver a si mesmo.
O reflexo não tem existência em si mesmo. Este ato de manifestação é a criação da dualidade, e na dualidade aparente, o mundo inteiro aparece.

A física atômica do século XX demonstrou que toda matéria é nada mais que energia. Esta evidência apareceu há alguns milhares de anos aos sábios da antiga Índia, eles expressaram a mesma verdade nos Upanishads!
Os olhos físicos do corpo humano, não podem ver obejtos como puro espaço e energia. Por causa das limitações de percepção visual, objetos como formas coloridas, com bordas que parecem separá-las umas das outras. Isso não é mais uma maneira "correta" de ver objetos sólidos; seria melhor que vissemos os seres animados como apenas luz amorfa. No entanto estamos acostumados a vê-los como sólidos e separados.

O Vedanta afirma que os objetos do mundo são "Namarupa" apenas. Nama significa nome e rupa significa forma.

As formas e seus nomes andam juntas no processo mental de percepção e o reconhecimento de ambos, são projeções sobre a realidade não dual, da mesma forma que as imagens são projetadas em uma tela. As imagens são apenas luz colorida, a luz em si mesmo é incolor.

Objetos, embora eles pareçam ter forma e serem reconhecidos por seus nomes, ainda assim, não são separados do espaço que os impregna.
Espaço permite todas as formas do mundo aparecerem.

Mas a realidade é mais sutil do que o espaço, porque é consciente deste espaço também."

Ranjit Maharaj em The Way of the Bird



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