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terça-feira, 29 de novembro de 2011

O Verdadeiro Despertar



Não tente medir aquilo que você é ou que pensa ser. Qualquer medição limita-se à forma, e limitado não é o seu verdadeiro Ser. Logo, ao fazer comparações, estipular medidas ou tentar apalpar o indivisível, há a perda da coisa em si. Seria como andar em círculos sem ter a noção do próprio tempo.
A não-forma, embora possa haver fisicalidade envolvida, como o ar que sopra ao nosso redor ou a água que nos sacia a sede, só pode ser medida através de seu reflexo, de sua projeção, como as camadas densas dos elementais citados. Todavia, em sua pureza essencial, em sua natureza divina, a não-forma é intangível e, por isso, incompreensível para a mente egóica.

Buscar tornar-se consciente é aprender a vislumbrar a não-forma. E isso não se dá através dos sentidos básicos, ao contrário, estes somente servem para o limitado e o finito. Compreender aquilo que está além compete à mente profunda, cuja total abstração abrange a própria expansão indeterminada da não-forma. E para que essa mente profunda possa se manifestar no homem, há de se ter humildade e paciência, sem as quais não pode haver qualquer tipo de evolução.

A humildade consiste em reconhecer seu próprio estado limitado, dando abertura para uma superação desta mesma limitação. Mais que isso, somente através da humildade é que a ignorância pessoal pode ser descoberta e definida.

Sem isso, há apenas a constituição do ego-agente que, para todos os meios, jamais poderá permitir a manifestação da mente abstrata, uma vez que ele vê na própria afirmação o princípio de qualquer entendimento. Mas em fato é justamente na não-afirmação do eu que o Verdadeiro Ser manifesta-se.

Já a paciência, mais do que um atributo que permita a constância e a impermanência, é a palavra comum que mais consegue definir aquilo que conhecemos como amor. E quando há a limitação corpórea, mental e emocional, desenvolvê-la passa a ser uma virtude do forte de espírito, do cosmo-agido.

Apenas os fortes têm paciência, apenas os que já se mostram divinos podem demonstrá-la, pois o amor verdadeiro é divino.

Logo, qualquer caminho pavimentado com humildade e paciência leva invariavelmente ao desenvolvimento da mente profunda. E quando esta se faz presente, a não-forma, antes apenas especulativa, torna-se tão concreta quanto qualquer objeto material. Mas sem a limitação que a este compete. Eis então o surgimento daquilo que se conhece como Consciência Pura.

Pois apenas quando a não-forma se faz evidente é que o indivíduo pode compreender tudo aquilo que abrange o seu ponto de vista, agora supraexpandido, tornando-o não apenas um ser humano com tendências espirituais, mas um deus com tendências materiais. E esse é o verdadeiro Despertar.

domingo, 27 de novembro de 2011

Busca do homem: dos fenômenos místicos à união com o espírito

"...A verdadeira sabedoria sempre nos chega pelo ser interior..."



O buscador espiritual não deveria ocupar-se com o lado oculto de sua evolução, com as experiências místicas e as visões dos níveis intermediários da consciência, pois isso poderia constituir mais uma ilusão para ele.

Considerando-se que os aspirantes ao caminho do espírito têm como objetivo principal a realização do puro ser, qualquer outra busca torna-se uma meta secundária. Assim, não há dispersão da energia que deveria estar concentrada em um só ponto. O Grande Instrutor referiu-se a essa unidade de propósito como a única coisa necessária.

Tais afirmações, todavia, não precisam ser tomadas com rigidez, pois na realidade a Iluminação não é decorrente apenas de estímulos provenientes do Eu interior. As Hierarquias espirituais, os Curadores e os Instrutores dos planos internos trabalham a consciência do homem e podem, se for necessário, exprimir-se de forma clara - até mesmo através de aparições, materializações ou de palavras transmitidas interiormente.

Não é preciso desvalorizar estados místicos autênticos, frutos do contato com a realidade - e não da imaginação humana ou do delírio -, mas deve-se estar desapegado deles. Quando acontecem sem terem sido procurados, devem ser vivenciados naturalmente, levando-se em conta a efemeridade dos sentidos. O caminho é recolher a instrução recebida, agradecer, mudar de estágio e prosseguir, na pura fé, por vias até então desconhecidas.

A meta de descobrir a relação entre o consciente e o Eu espiritual, e de efetivá-la, é sempre válida. Principalmente nesta época caótica e de transformação, essa meta torna-se mais sagrada para o homem que pensa, vê e realmente quer.

Embora se possa compreender a dúvida dos céticos e reconhecer a existência de uma exploração comercial em torno dos "fenômenos místicos" mais ou menos autênticos, não é preciso excluir a possibilidade de se transmitir experiências válidas, desde que contribuam para a elevação da consciência atual do homem ou a preparem para novas etapas.

Toda revelação autêntica provém de níveis supra-humanos, canalizada para o indivíduo pelos seus núcleos superiores. Mensagens, inspirações e informações que descem desses níveis passam sempre por esse crivo interno, saiba ele disso ou não e aceite ou não esse fato.

Em sua origem, os ensinamentos espirituais são verdadeiros, mas o que ocorre com eles durante o trajeto entre as fontes imateriais e o cérebro de quem os capta dependerá da pureza daquele que serve de canal e da própria constituição da matéria psíquica do planeta e da humanidade de superfície, que formam um conglomerado no qual o indivíduo está incluído.

Essas condições estão em mutação, e o homem, num futuro próximo, deverá polarizar-se definitivamente em planos sutis da existência, liberto do desejo e da ilusão.

A manifestação do Reino espiritual na superfície da Terra é por si mesma uma realização supra-humana; a vida externa, entretanto, deveria ser capaz de espelhá-la. Para que ao menos uma fração da energia interior possa refletir-se nos mundos formais, é preciso que ela seja um fato conhecido, experimentado e vivido pelos seres cuja consciência desperta. Assim, torna-se imprescindível possibilitar que a realidade interna, de vital importância para o processo de transformação planetária, torne-se consciente para os indivíduos já coligados a ela em seus níveis profundos.

Trigueirinho

Palestras do autor poderão ser ouvidas, gratuitamente, no site: www.irdin.org.br

sábado, 26 de novembro de 2011

O Exterminador do Presente



"A presença do homem tem considerável impacto ambiental no ecossistema onde ele se instala. Essa ação, repetida e ampliada em dezenas de milhares de anos, está associada ao extermínio de diversos animais e vegetais e pode tornar nossa espécie a primeira a promover uma extinção em massa na história da Terra".

Por Eduardo Araia

Há cerca de 12 mil anos, quando se instalou na região do Novo México pela qual se tornou conhecido, o povo de Clovis não demorou a dar mostras de sua capacidade empreendedora. Munidos de lanças com ponta de pedra - e com um empurrão dado por mudanças climáticas -, esses caçadores liquidaram 75 espécies animais da região, incluindo mamutes, mastodontes, antílopes de quatro chifres e megatérios (grandes antepassados das preguiças de hoje). Mil anos depois, seus parentes que avançaram para a América do Sul continuaram o serviço, exterminando gliptodontes (enormes parentes pré-históricos dos tatus), diversas espécies de roedores e animais da família das lhamas.

Casos como esses mostram que a chegada do homem a qualquer lugar representa um enorme perigo ambiental. Desde que nossa raça incluiu a caça e a agricultura entre seus meios de sustento, raros ecossistemas podem se considerar imunes às investidas do Homo sapiens. O domínio humano sobre o planeta e suas consequências - incluindo aí nossa responsabilidade sobre o aquecimento global - tornam o homem um elemento raro no planeta: ele deverá ser o primeiro ser vivo, em toda a história terrestre, a ser capaz de provocar um extermínio em massa de outras espécies (e talvez até dele mesmo).







Gorila(Gorilla gorilla) Primata endêmico das florestas tropicais e subtropicais da África, o gorila compartilha cerca de 99% do seu DNA com os humanos. Isso faz dele o nosso parente vivo mais próximo. Apesar disso, os gorilas continuam a ser caçados e comidos. seu número hoje se reduz a poucas dezenas de milhares, em risco de extinção.








Seria um feito e tanto, já que, nas cerca de 20 vezes em que isso aconteceu - cinco das quais tiveram proporções especialmente grandes -, os agentes causadores sempre foram forças incontroláveis da natureza ou do espaço. Na mais recente delas, por exemplo, ocorrida há 65 milhões de anos, o choque de um meteoro contra a região da Península de Yucatán, no México, levantou uma nuvem de poeira que toldou os céus, resfriou o clima e eliminou, por tabela, todos os dinossauros da superfície da Terra. Mais de 135 milhões de anos antes, outro meteoro havia causado uma catástrofe ainda maior: levou à extinção 95% de todos os seres vivos.








Gibão-preto
(Hylobates concolor) Espécie frugívora, ele passa toda a sua vida no alto das árvores das florestas tropicais úmidas de camboja, Laos, china, tailândia e Vietnã. como a maioria dos gibões, a espécie está seriamente ameaçadas pela caça predatória - o gibãopreto é famoso pelas vocalizações que consegue emitir.





O poder do homem pode não se mostrar tão devastador, mas, segundo alguns pesquisadores, é sem dúvida respeitável: em seu livro The future of life (O futuro da vida), publicado pela Vintage Bo oks em 2003, o professor de biologia Edward Wilson, da Universidade Harvard (Estados Unidos), prevê que, no ritmo atual de destruição humana da biosfera, 50% de todas as espécies de seres vivos desaparecerão da face do planeta em 100 anos. Cálculo semelhante já havia sido apresentado oito anos antes pelo paleontólogo inglês Richard Leakey em The sixth extinction (A sexta extinção), escrito em parceria com o jornalista Roger Lewin e publicado pela Doubleday.

O desaparecimento de espécies não chega a ser algo a se estranhar sob o prisma estatístico: os cientistas afirmam que 99,9% de todas as formas de vida que existiram sobre a face do planeta já se foram. (A probabilidade de que nós, humanos, sigamos o mesmo caminho é, portanto, bem alta.) O que pode não surgir tão claramente aos olhos dos observadores é o real papel do Homo sapiens em todo esse processo. Certamente não é o do meteoro que formou a cratera de Chicxulub, na região do Yucatán, e precipitou o desaparecimento súbito dos dinossauros.

O homem parece mais ser um dos protagonistas de uma erosão contínua da biodiversidade associada a outros fatores, em especial mudanças climáticas, e que se amplia exponencialmente conforme os ecossistemas vão sendo destruídos. "Se você soma os números de espécies que foram extintas nas últimas centenas de anos, descobre que os números ficam bastante aquém de uma extinção em massa", assinala o professor Norman MacLeod, administrador da área de paleontologia do Museu de História Natural de Londres. "É apenas quando você olha para os números de criaturas que estão na iminência de serem erradicadas que o quadro se torna alarmante."

Em texto publicado no site do jornal russo Pravda, o engenheiro florestal e doutor em agronomia brasileiro Fabio Rossano Dario aponta três ondas de extinção de porte considerável desde que o homem surgiu na face da Terra. A primeira, que abrange o período entre 40 mil anos atrás e o fim do século 15, foi marcada pelo desaparecimento de toda a megafauna da Europa e do norte da Ásia (Neandertais inclusos), além dos grandes mamíferos das Américas, de dezenas de espécies de marsupiais australianos e da fauna de Madagascar e de 15% das espécies de pássaros do mundo.

Entre as perdas dessa onda estão o mamute, o mastodonte, o urso-de-cara-achatada, o rinoceronte-lanudo, o leão-das-cavernas, cerca de dez espécies de moa (pássaro enorme que habitava a Nova Zelândia) e 12 espécies de lêmures gigantes (um dos quais atingia dois metros de altura). O auge da extinção nesse período foi há cerca de 10 mil anos - a chamada "matança do Pleistoceno" -, fase de grandes alterações climáticas e de intensificação das atividades de caça dos humanos.

Baleiade- bryde (Balaenoptera brydei) É a menos conhecida das pequenas baleias (seu peso não supera 25 toneladas). Prefere viver nas tépidas águas costeiras, onde é presa fácil dos caçadores. Não há estatísticas seguras sobre a população mundial dessas baleias; supõe-se que atualmente ela não supere os 10 mil indivíduos.





Coala (Phascolarctos cireneus) É o mais robusto marsupial arbóreo da Austrália e o único representante da sua família. Alimenta-se de folhas de eucalipto. Sua população está hoje ao redor de 80 mil indivíduos, concentrados nas fl orestas do norte do país. Os coalas foram totalmente extintos nas outras regiões da Austrália.







A era das grandes navegações, iniciada pouco antes do fim do século 15, e o ano de 1970 delimitam a segunda onda de extinção, que conviveu com o colonialismo europeu, a revolução industrial e o surgimento do capitalismo. Uma das regiões mais afetadas foi o Caribe, cuja flora e fauna perderam centenas de espécies. Duas delas, vítimas da caça indiscriminada, foram a foca-monge (Monachus tropicalis), chamada por Cristóvão Colombo de lobo-marinho, e a vaca-marinha-de-steller (Hydrodamalis stelleri), um tipo de peixe-boi gigante encontrado no Pacífico Norte e que chegava a atingir 7 metros de comprimento e 10 toneladas de peso.


Na lista de mamíferos desaparecidos nesse período figura a quaga (Equus quagga), tipo de zebra da África do Sul que possuía listras apenas na parte posterior do corpo, exterminada por caçadores na segunda metade do século 19. Outro espécime é o tigre-da-tasmânia (Thylacinus cynocephalus), marsupial semelhante a um cachorro com listras verticais na parte de trás do corpo, à maneira do tigre. Acusado pelos fazendeiros locais de matar ovelhas, ele foi exterminado impiedosamente.

Destruição revertida

O pelicano-pardo (Pelecanus occidentalis) foi motivo de uma notícia alentadora em novembro. Esse pássaro típico do Caribe, da Flórida, das costas do Golfo do México e do Pacífico havia sido declarado espécie ameaçada nos Estados Unidos em 1970, depois que sua população foi dizimada pelo pesticida DDT.O veneno, presente nos peixes que as aves ingeriam, fazia com que elas pusessem ovos com cascas tão frágeis que se rompiam durante a incubação.


O DDT foi banido dos EUA em 1972, iniciando o processo de recuperação da espécie. Estados e grupos de conservação colaboraram, monitorando a população das aves e protegendo seus locais de reprodução. Em 11 de novembro, um porta-voz do Departamento do Interior declarou que o pelicano-pardo não corria mais perigo de extinção. É um sinal claro de que o zelo pela biodiversidade e os cuidados adequados podem evitar boa parte do estrago feito pelo homem.


A caça indiscriminada também fez muitas aves darem adeus à superfície do planeta nessa época. A mais conhecida entre delas é o dodô (Raphus cucullatus), das Ilhas Maurício, mas merecem destaque ainda a huia (Heteralocha acutirostris), da Nova Zelândia, e a alca-gigante (Pinguinus impennis), que vivia na Islândia.





George, o Solitário (Geochelone nigra abingdoni) Ganhou esse apelido por ser o último indivíduo da sua subespécie (tartaruga da Ilha de Pinta, Galápagos). Talvez seja a criatura mais rara da Terra. As outras tartarugas da ilha morreram de fome após a introdução de cabras na ilha, cujos descendentes comeram toda a vegetação.







Sapodourado (Bufo periglenes) O último exemplar na natureza deste belíssimo anfíbio considerado extinto foi visto e fotografado em 1989, numa região de bosques na Costa Rica. O desaparecimento da espécie é citado como exemplo do grande declínio da população de anfíbios em todo o mundo.




Iniciada em 1970, a terceira onda de extinção está em andamento e, dependendo da perspectiva de cada cientista, deve, nos próximos 30 anos, responder pelo desaparecimento de cerca de 20% a 50% das espécies vivas. Entre elas há grandes predadores, como o tigre; primatas, como o chimpanzé, o orangotango e o gorilada- montanha; pássaros, como o albatroz; anfíbios, como o sapo-dourado; os recifes de coral e todas as formas de vida que eles sustentam.


A interferência humana é fator substantivo nesse quadro desastroso, particularmente por conta das alterações climáticas que seu modus operandi vem deflagrando. Mas não fica somen te nisso:

1 - CAÇA E PESCA - Inicialmente em busca de alimentação, e hoje também por motivos bem mais distantes da sobrevivência (por exemplo, crença em supostos benefícios medicinais, como nos casos de tigres e rinocerontes, ou simples interesse pecuniário, representado pelo marfim dos elefantes), o homem vem dizimando impiedosamente um sem-número de espécies animais ao longo de milênios.

2 - DESMATAMENTO - A fragmentação ou destruição de hábitats em razão de atividades como a agropecuária, a mineração e a própria urbanização, reduzem progressivamente as possibilidades de reprodução da fauna e da flora.

3 - INTRODUÇÃO DE ESPÉCIES EXÓTICAS - Levadas consciente ou inconscientemente pelo homem para outros ecossistemas, essas espécies podem se adaptar aos novos hábitats e destruir os habitantes nativos.

4 - POLUIÇÃO - O despejo de poluentes no solo, na água e no ar pode eliminar uma espécie diretamente ou de forma gradativa - por exemplo, ao reduzir sua população masculina via alterações genéticas.

5 - GUERRAS - Os conflitos bélicos e os armamentos envolvidos também possuem um enorme potencial de destruição de ecossistemas. Exemplos disso são a Guerra do Vietnã (no qual, segundo Dario, o uso de bombas, desfolhantes e napalm pelos Estados Unidos aniquilou 2 milhões de hectares de floresta tropical), a Guerra do Golfo (na qual o petróleo despejado no mar exterminou boa parte da vida selvagem entre os litorais do Kuwait e de Omã) e os testes nucleares feitos em atóis do Pacífico. (Esses atóis e a zona desmilitarizada entre as Coreias são exemplos fundamentais para se ver como a natureza se regenera em lugares dos quais o homem se afasta após usar suas armas;)






Bichopreguiça (Bradypus variegatus) Animal inofensivo, que vive no alto das árvores e se alimenta de folhas, a preguiça de três dedos é endêmica da Mata Atlântica, do Pantanal, do Cerrado e da Amazônia. Apesar da amplitude do seu hábitat, e como todas as demais preguiças, a espécie é altamente ameaçada, sobretudo pelo seu principal predador, o homem.



Ainda é possível reverter esse quadro geral? A resposta fica no âmbito da profecia, dada a dificuldade de fazer a crescente consciência ambiental da sociedade se transformar em ações internacionais amplas. A maioria dos especialistas antevê tempos sombrios, nos quais o homem descobrirá por si mesmo as consequências de viver em meio a uma biodiversidade muito mais pobre.

Presas fáceis

Duas aves ausentes há séculos do planeta devem seu desaparecimento diretamente ao homem. O moa (Dinornis robustus), um tipo de avestruz gigante - a espécie Dinornis maximus podia chegar a 4 metros de altura e a 400 kg - que habitava a Nova Zelândia sumiu por volta de 1500, época em que os maoris chegaram às ilhas. Antes dos humanos, esse pássaro incapaz de voar praticamente não tinha predadores em seu hábitat. No entanto, os ossos partidos por ferramentas, carbonizados e com marcas de dentes humanos mostram que os maoris deram fim àqueles tempos tranquilos.

Tipo de pombo frugívoro que chegava aos 25 kg, o dodô (Raphus cucullatus) era encontrado nas Ilhas Maurício, na costa leste da África. Também incapaz de voar e muito lento, ele foi um alvo fácil para os primeiros europeus que aportaram nas ilhas, nos séculos 17 e 18. O dodô não virou fonte de carne apenas para os humanos: os animais introduzidos por eles naquele ecossistema, como cães, porcos e macacos, também se alimentaram dos pássaros e de seus ovos, ajudando decisivamente na destruição.

Fonte: Revista Planeta - janeiro 2010

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Era do Gato



Ísis


Texto de Marisa Paes (Miaurisa) - Professora de Gatofilia. 

Fotos: Blog Hora Cósmica, (meus bebezinhos).

Vivemos atualmente na "Era do Gato". Que me desculpem os cachorros, os ferrets, os hamsters, os pássaros e outros animais de estimação. Agora é a vez do gato. É ele com certeza é o animal dos Novos Tempos.



Sol

E existe uma explicação para tal fato, que é o reflexo da nossa época: a ldependência e a praticidade. Todos nós sabemos, que para se viver nas grandes metrópoles, temos que morar em ambientes pequenos e quase sem espaço. Sendo assim, qual é o animal de estimação que pode dividir um espaço pequeno sem se prejudicar? É o gato.


Félix

Ele tem a capacidade de ocupar espaços restritos, sem que isso lhe cause problemas. Ele precisa simplesmente de água fresca, uma boa alimentação e o resto ele se vira.


Rubi

Para dormir, escolhe lugares que nem sonhamos que ele possa se interessar. Hora dorme na nossa cama, outra hora dorme no sofá, na cadeira, no guarda-roupa e assim ele vai vivendo ocupando espaços que melhor lhe agradem. Ele não fica esperando que o seu dono lhe dê um local específico, ou melhor, ele é que escolhe, embora muitos donos queiram que ele fique em caminhas engomadinhas. Mas, ele pode até ficar por alguns dias utilizando este mimo, que ganhou do seu dono, mas com certeza, irá mudar o local, porque ele não gosta que lhe ditem ordens. Gato não gosta de obedecer, gato é independente. Se o dono lhe dá carinho melhor, se não der, ele vira a cara, mas nem por isso fica deprimido. Ele sabe do seu real valor. Quanto à praticidade moderna é o seguinte: quem é que tem tempo para sair para passear e levar o seu animal de estimação para fazer necessidades fisiológicas lá fora? Resposta: pouquíssimas pessoas.



Samuel

A maioria de nós sai de manhã e volta à noite e o animalzinho fica sozinho o dia inteiro. Qual é o animal que suporta ficar só, sem que isto venha a lhe prejudicar? Resposta: o gato. Na verdade, as pessoas querem um animal de estimação que não ocupe muito espaço e nem dispense muito tempo em tratamento. Por isso, os Gatos são criaturas especiais, que atendem às necessidades das mudanças ocorridas na vida urbana. Os gatos são amigos e contentam-se em compartilhar de um programa de TV com as pessoas, deitado no braço do sofá ou então estirado no tapete. Não precisa de carinhos freqüentes, se você quiser lhe fazer um afago na cabeça já é suficiente, para que ele entenda que faz parte da família e que é muito amado. Eles são muito menos barulhentos do que os cães, sendo que os Gatos Persas sequer emitem sons, apenas ameaçam um miado rouco e baixo.



Gabriel

A linguagem do Gato com seu dono é quase telepática. Uma troca de olhares é suficiente para entenderem-se mutuamente. Portanto, a preferência pelos Gatos como animais de companhia, já se observa nos Estados Unidos e nos principais países da Europa. Lá, os felinos já estão muito à frente dos cães em número de animais de estimação e os clubes e associações de Gatos espalham-se pelo mundo todo em progressão geométrica. No Brasil, o número de amantes de gatos vem crescendo a cada dia, pois o brasileiro está entendendo que a companhia de um gato lhe faz muito bem e é muito mais prático conviver com gato, do que com qualquer outro animal. Sem contar, que gato é o bicho mais limpo que existe. Ele faz as suas necessidades fisiológicas em bandejas sanitárias e ainda cobre com a patinha, para não deixar vestígio. Será que precisamos falar de mais qualidades que o gato possui para que você entenda de uma vez por todas que o gato é o animal da Nova Era? Chega de bobagens, de crendices populares, que fizeram com que o gato no Brasil fosse tão mal amado. É hora de acordar para uma nova Era, e pensar sem tabus. Muito daquilo que aprendemos, não era verdadeiro, somente fazia parte da nossa cultura. Por isso, repensar sobre nossas crenças, faz parte da nossa evolução. E uma delas, que com certeza deve ser modificada, é o respeito que devemos ter com todos os animais, inclusive com o bicho Gato, que tanto nos faz o bem e muitos dos seres humanos os tratam com ingratidão. Está na hora da volta do Gato, como no antigo Egito e na Idade Média, não vamos deixar que antigos valores tomem conta de nós. O gato está na Terra por algum motivo. Deus não iria colocá-lo no mundo sem um propósito e a partir da domesticação do gato, que saiu do mato para conviver conosco, esta relação deve ser bem compreendida e bem sucedida.

Gabriel e Samuel

Vamos viver a Era do Gato!
Fonte AQUI
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