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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O Amor Entre Clara e Francisco, Figuras Queridas da Cristandade



por Leonardo Boff

Os 800 anos da fundação da ordem das Clarissas

Francisco (+1226) e Clara (+1253), ambos de Assis, são figuras queridas da cristandade. Os dois uniam três grandes paixões: pelo Cristo pobre e crucificado, pelos pobres, especialmente os hansenianos, e um pelo outro. O amor por Cristo e pelos pobres não diminuía em nada o amor que os unia, mostrando que, entre pessoas que se consagram a Deus e ao serviço dos outros, pode existir verdadeiro amor.

Há entre Francisco e Clara algo misterioso que conjuga Eros e Ágape, fascinação e transfiguração. Os relatos da época falam dos encontros frequentes entre eles. No entanto, "regulavam tais encontros de modo tal que aquela divina atração mútua pudesse passar despercebida aos olhos dos homens".

Logicamente, numa pequeníssima cidade como Assis, todos sabiam tudo de todos. Assim também do amor entre Clara e Francisco. Uma legenda antiga refere-se a esse diz que diz que com terníssima candura: "Certa feita, Francisco havia ouvido alusões inconvenientes. Foi a Clara e disse-lhe: "Comprendeste, irmã, o que o povo diz de nós?" Clara não respondeu. (...) "É tempo de separar-nos", disse Francisco. (...) "Pai, quando nos veremos de novo?" "Quando o verão voltar, quando as rosas florescerem", respondeu Francisco. E, então, algo maravilhoso aconteceu. Parecia que, por sobre os campos cobertos de neve, tivesse chegado o verão e irrompesse milhares de flores. Depois de uma perplexidade inicial, Clara colheu um ramalhete de rosas e o entregou a Francisco". E a legenda termina dizendo: "Daquele momento em diante, Francisco e Clara nunca mais se separaram".

Estamos diante da linguagem simbólica das lendas. Mas são elas que guardam o significado dos fatos primordiais do coração e do amor. "Francisco e Clara nunca mais se separaram", quer dizer, souberam articular seu mútuo amor com o amor a Cristo e aos pobres, de tal forma que era um só grande amor. Efetivamente jamais saíram um do coração do outro. Uma testemunha da canonização de Clara diz com "grazie" que Francisco, para ela, "parecia-lhe ouro de tal forma claro e lúcido que ela se via também toda clara e lúcida como se fosse num espelho". Dá para expressar melhor a fusão de amor entre duas pessoas de excepcional grandeza de alma?

Em suas buscas e dúvidas, ambos se consultavam e buscavam na oração um caminho. Um relato biográfico da época conta: "Certa feita, cansado, Francisco chega a uma fonte de águas cristalinas. Põe-se a olhar, por longos instantes, para essas águas claras. Depois, tornou a si e disse alegremente a seu amigo íntimo Frei Leão: - Frei Leão, ovelhinha de Deus, que pensas que vi nas águas claras da fonte? "A Lua, que se espelha lá dentro", respondeu Frei Leão. - Não, irmão, não vi a Lua, mas, sim, o rosto claro de nossa irmã Clara, cheio de santa alegria, de sorte que todas as minhas tristezas desapareceram".

Agora, em 2011, se celebram os 800 anos da fundação, por Clara, da Segunda Ordem, a das Clarissas. O relato histórico não poderia ser mais carregado de densidade amorosa. Francisco combinara com Clara que, na noite do domingo de Ramos, belamente adornada, fugisse de casa e viesse encontrá-lo na capelinha que havia construído, a Porciúncula. Efetivamente ela fugiu. Chegou à igrejinha, e lá estavam Francisco e seus companheiros com tochas acesas.
Alegres, a aplaudiram e a receberam com extremo carinho. Francisco cortou-lhe os belos cabelos louros. Era o símbolo de sua entrada no novo caminho religioso. Agora eram dois num só e mesmo caminho e até hoje "nunca mais se separaram".


quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Temos que Acordar! Esta é a Prática que irá nos Salvar

Três meses é muito se vivermos realmente cada momento em profundidade.


"...Você pode viver cada momento de cada dia profundamente, em contato com as maravilhas da vida. Então você aprenderá a viver e, ao mesmo tempo, aprenderá a morrer. Uma pessoa que não sabe como morrer, não sabe como viver e vice-versa. Você deveria aprender a morrer – a morrer imediatamente. Esta é a prática..."


"...Você está pronto para morrer agora? Você está pronto para organizar suas atividades de forma que possa morrer em paz esta noite? Isto pode ser um desafio, mas esta é a prática. Se você não fizer isso, será sempre atormentado pelo sentimento de perda. Se você não quer sofrer, se não quer ser atormentado pelo sentimento de perda, a única solução é viver cada minuto que tem de uma maneira profunda. Isto é tudo que se tem para fazer. A única maneira para se lidar com a insegurança, medo e sofrimento é viver o momento presente de uma maneira profunda. Se você fizer isso, não terá lamentos..."


"...Talvez estejamos também vivendo como mortos. Nos movemos pela vida nos nossos próprios cadáveres porque não tocamos a vida em profundidade. Vivemos um tipo de vida artificial, com muitos planos, muitas preocupações e raiva. Nunca somos capazes de nos estabelecer no aqui e agora e viver nossas vidas profundamente. Temos que acordar! Temos que fazer o possível para o momento de consciência se manifestar. Esta é a prática que irá nos salvar – esta é a revolução..."



"...Viver é uma alegria. Morrer de forma a começar novamente é também uma alegria. Recomeçar é uma coisa maravilhosa, e recomeçamos constantemente..."

Thich Nhat Hanh


Para ler o texto na íntegra, clique AQUI

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O Que Fazer Quando Eles Chegarem?



No ano de 1938, o então radialista George Orson Welles, que mais tarde seria responsável por um dos melhores filmes de todos os tempos, Cidadão Kane, produziu uma trasmissão radiofônica chamada "A Guerra dos Mundos" de maneira tão intensa, que provocou pânico nos ouvintes, que pensaram tratar-se de uma verdadeira invasão alienígena. Mas a transmissão fora adaptada do livro homônimo de H.G. Wells, portanto não passando de uma bem sacada, embora um pouco irresponsável, "pegadinha".

Muito se fala sobre extraterrestres hoje em dia, a tal ponto que sua existência tornou-se algo caricata no consciente coletivo. As obras cinematográficas acabaram criando uma aura fantasiosa em torno do assunto que, como sabemos, de fantasia não tem nada. Os motivos para esse estado em que o assunto chegou não será mencionado aqui, pois este texto não trata de conspirações e nem do que ocorre nos bastidores do mundo atualmente, mas de um cenário hipotético de neutralidade de ambas as partes em um possível contato aberto, para que possamos analisar o contexto. Repito, o cenário é hipotético.

Nós sabemos que uma hora nossa civilização sairá do ponto cego do cosmos. Uma hora iremos finalmente entrar em contato oficial com outras civilizações. Quando digo oficial, refiro-me ao acontecimento aberto, para qualquer indivíduo, do mais simples ao mais cético. Não podemos dizer quando isso irá acontecer, podendo ser amanhã ou daqui a quinhentos anos.

Contudo, quando o contato enfim ocorrer, como essa humanidade atrasada e medrosa conseguirá lidar com isso? Sim, pois que somos uma raça atrasada, uma vez que ainda estamos segregados, ainda necessitamos dos sistemas político e monetário, ainda temos religiões, ainda temos líderes corruptos, ainda matamos uns aos outros, ainda deixamos nossos irmãos passarem fome, etc, etc, etc. Portanto, ainda estamos atrasados e ainda estamos cheios de medo.

Então como poderia esta humanidade lidar com outras civilizações? As pessoas comuns infelizmente mal vêem um palmo à frente de seus narizes por causa da engenharia social. E se ainda não sabem quem são, pois não praticam o autoconhecimento, certamente que o encontro com outras formas de vida será de um impacto tremendo para elas, dependendo então de suas crenças ou de seus estados de consciência o modo com que reagirão ao evento.

Os religiosos fanáticos, como já fazem hoje em dia, vão chamar essa civilização extraterrestre de exército de demônios. Os mais simples ficarão com medo, mas podemos dizer que por sua simplicidade, grande parte não vai nem ligar para o que esteja acontecendo neste mundão de Deus. Aliás, Deus ficará em alta nessa ocasião, pois que questionamentos filosóficos serão inevitáveis.

Os céticos ainda ficarão desconfiados, não há de ser de outra maneira. Os políticos logo entrarão com seus jogos diplomáticos, tentando aumentar seus poderes com alianças entre eles e o povo do céu. Os líderes religiosos tentarão a todo o custo serem os primeiros a encontrarem em suas escrituras sagradas algo que ligue suas religiões com os novos visitantes. Os seguidores da nova era possivelmente verão salvadores, mas encontrarão decepção quando descobrirem que não são os escolhidos.

Mas, sem dúvida, os que mais aproveitarão esse possível contato serão os cientistas e ufólogos, pois ambos finalmente irão caminhar juntos. A ciência terá sua prova e a ufologia seu merecido reconhecimento. E isso sim será algo positivo.

Todavia, o cenário pode ser mais complicado. Em 1938 houve pânico nas ruas. E o que a humanidade mudou de lá para cá? Evoluímos em tecnologia e nos direitos humanos, mas no cerne do homem, o que realmente mudou? Quase nada. O mundo apresentado aos olhos ainda é toda a realidade que o indivíduo comum conhece, ainda há os conflitos de interesse, de crenças e de filosofias; ainda há separações por cores de pele, por culturas e nações; ainda há muitas coisas a serem resolvidas.

Compreender que não estamos sós, não apenas de uma maneira teórica, mas ao vivo, vendo com os próprios olhos, causará no ser humano uma grande transformação intelectual e espiritual. Os que não estiverem preparados ficarão confusos, amendrotados e perderão seus rumos. Para aqueles que conseguirem lidar com isso, será uma grande oportunidade de evoluírem de maneira mais profunda.

Mas é preciso pôr os pés no chão. A humanidade como um todo não irá mudar de uma hora para outra. Tudo continuará como antes, contas e impostos a pagar, crianças passando fome, assaltos e sequestros, jogos de futebol domingo à tarde na televisão, etc, etc, etc. Todavia, o horizonte irá se ampliar. O que antes era um mundo limitado, tornar-se-á algo maior e isso sim irá causar uma mudança na forma como o homem encara a si mesmo e o mundo ao redor.

Não sabemos como a humanidade estará daqui a duzentos, trezentos anos, mas se esse contato se der no tempo de nossas vidas, esse é o cenário mais visível que podemos encarar. Afinal, não teremos amor em nossos corações para oferecer aos novos visitantes. Então, ofereceremos o que tivermos: crenças religiosas, condicionamentos psicológicos, egocentrismos filosóficos e intelectuais, patifarias políticas, desarranjos sociais, mentalidades bélicas, dramalhões socialistas, mediocridades capitalistas, desrespeitos pela própria espécie, entretenimentos fúteis, celebridades sem conteúdo, programas de televisão... etc... etc... etc...

Então, há a pergunta: o que fazer quando eles chegarem? Nada, pois que nada irá mudar a não ser possivelmente no íntimo de cada um. Não há de se ter medo, não há de se ter esperança, não há de se ter nenhuma ideia pré-concebida. Apenas aprenda a amar e a tolerar as pessoas, aprenda a amar a si mesmo. Descubra quem você realmente é. Sabendo quem você realmente é, nada mais lhe será exigido para lidar com essa nova realidade.

A humanidade irá ampliar sua visão, todavia apenas ela pode libertar-se dos grilhões do medo e da ilusão de si mesma. Não estamos sozinhos no universo, mas nossa evolução só depende de nós. Enquanto o homem não aprender a amar seu semelhante e a tolerar suas diferenças, as coisas continuarão do jeito que estão.

É preciso parar de olhar para o céu, e começar a olhar para dentro de si mesmo.



*Postagem meramente especulativa visando a compreensão a respeito de como nossa sociedade se comportaria em um cenário no qual ela não seria mais a única presente. Qualquer menção a fenômenos ufológicos não deve ser levada a sério, a não ser para a compreensão do presente texto.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

São Francisco de Assis - Protetor dos Animais


No dia 4 de outubro celebramos São Francisco de Assis, que nasceu na cidade de Assis, na Itália, em 1182.

Conheça a vida de São Francisco de Assis nesta postagem de 4 outubro de 2010, clicando no link abaixo. Para minha surpresa, com 9.952 acessos (até momento desta postagem), é o campeão do Hora Cósmica.

http://horacosmica.blogspot.com/2010/10/sao-francisco-de-assis.html


Considerado o padroeiro dos animais. De fato, é comum encontrar nas sedes das entidades de proteção animal imagens do santo italiano. Por sua relação de amor e respeito aos animais, a data serve também para comemorar o Dia Mundial dos Animais.
Ele tinha uma relação muito especial, de muito respeito com os animais. No Cântico das criaturas, São Francisco de Assis louva a Deus por todas as criaturas, o sol, a lua, as estrelas... Há alguns anos o Papa João Paulo II decretou São Francisco de Assis como o padroeiro da ecologia, pelo reconhecido amor a todas as criaturas.

Francisco de Assis foi sepultado em 4 de outubro de 1226 e canonizado em 1228. Em comemoração à data, durante este mês várias entidades de proteção animal organizam eventos sobre bem-estar animal e cerimônia de bênção aos animais.

Ao analisar a relação homem-animal ao longo da história da humanidade, percebemos que muitos erros e atrocidades foram cometidos contra os animais, por falta de conhecimento, pela ganância ou em nome de tradições culturais. Com o desenvolvimento de estudos, análises e teorias sobre comportamento animal, o homem passou a modificar sua postura, pois percebeu que os animais também sofriam e sentiam medo, dor e angústia. Isso aconteceu graças ao trabalho dos cientistas e estudiosos do comportamento animal e dos defensores de animais - pessoas que, mesmo sem nenhuma formação acadêmica, lutam pelos direitos dos animais, tirando-os das ruas, protegendo-os, criando e cuidando de abrigos.

Ainda hoje vemos situações que não podem ser aceitas sem pelo menos o sentimento de forte indignação, abrigos superlotados com animais abandonados à própria sorte por seus donos, maus-tratos, envenenamentos, venda ilegal de animais silvestres, rodeios, touradas, farra do boi, ursos torturados na China, circos, feiras de animais sem controle sanitário, uso de animais em testes para cosméticos, projetos de lei que perpetuam os maus-tratos e uso em experiências científicas.

Por isso, vamos aproveitar a data para refletir por alguns instantes sobre tudo aquilo que devemos aos animais, sobre todos os erros cometidos até agora. Existe um caminho a ser seguido, que é o respeito a todas as formas de vida, tanto aos aspectos mais básicos, como abrigo e alimentação, quanto ao direito a afeto, liberdade e à vida. (fonte:JornalPontofinal-MG)

Oração aos animais

Meu São Francisco de Assis
Protetor dos animais
Olhai por nós que rogamos
Vossa benção e muita paz.

Olhai os abandonados
Sofrendo agruras nas ruas
E os que puxam carroças
Açoitados nas ancas nuas.

Pelos pobres passarinhos
Que não podem mais voar
Presos em rudes gaiolas
Só porque sabem cantar.

E as cobaias de laboratório
Que sofrem dores atrozes
Em experiências terríveis
Que lhes impõem seus algozes.

Olhai os que são perseguidos
Sem piedade nas florestas
Só por causa da ambição
Dessas caçadas funestas.

Pelos animais de circo
Que não têm mais liberdade
Presos em jaulas minúsculas
À mercê de crueldade.

Olhai os bois de rodeio
E os sangrados nas touradas
Barbárie e crimes impostos
Por pessoas desalmadas.

Pelos que têm de lutar
Até a morte nas rinhas
Quando o homem faz apostas
Em transações tão mesquinhas.

Olhai para os que são mortos
Nos macabros rituais
Em altares religiosos
Que usam sangue de animais.

Meu bondoso protetor
Oro a vós por meus irmãos
Para que sua dor e tristeza
Não sejam sofrimentos vãos.

Por: Ivana Maria França de Negri



 Ivana Maria França de Negri
Professora, poetisa e escritora.



"...o
coração
dita
e
a
mão
escreve..."
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