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sábado, 31 de março de 2012

COMO IDENTIFICAR UM ILUMINADO

HOW TO IDENTIFY AN ENLIGHTED PERSON


Você seria capaz de reconhecer um iluminado caso se encontrasse com um? Já pensou que pode haver iluminados vivendo muito próximo a você, talvez, na mesma rua, bairro, cidade ou país? Mas, como reconhecê-los? Existe algum “critério infalível” que nos permita reconhecê-los? Será que os autoentitulados iluminados o são realmente? Todos os iluminados tem grandes missões no mundo assim como Buda, Cristo e outros mais? Não seria importante refletirmos sobre essas questões?

Primeiramente, temos que definir o que se entende por "Iluminados". Iluminado é aquela pessoa que compreende claramente a essência das coisas. É aquele indivíduo que sabe diferenciar o que é verdadeiro do que é falso. É que "despertou". Livrou-se do sono da ignorância e ilusão . É o homem que acordou para a Verdade e não vive mais de enganos, ou mentiras. É o ser liberto da dor psicológica e do desejo de ser, não ser, ou vir-a-ser. Vive na Eternidade, na dimensão do Desconhecido, do Atemporal, além das limitações do pensamento e da prisão do EGO.

Sendo assim, pode ser que o Iluminado não se encaixe em nenhuma das nossas classificações mentais ou convenções sociais. A imagem que geralmente se tem de um iluminado é a de uma pessoa desapegada, calma, serena e amorosa. Em geral, despojada dos vícios e imperfeições humanas. Na verdade, tudo isso são imagens estereotipadas, criadas por nossos desejos e idealizações. Estas imagens, podem ser fantasiosas e , em alguns casos, podem não corresponder à realidade.

JESUS MEDITANDO

Começando por Jesus Cristo, percebemos que ele era, aparentemente, uma pessoa absolutamente comum. Nós, muito provavelmente, não seríamos capaz de identificá-lo como sendo um Avatar. Não havia sinais externos. A Bíblia nos informa que "nem mesmo seus irmãos criam nele” (João 7:5 ). Ou seja, mesmo as pessoas mais íntimas, que conviveram com ele, viram nele algum sinal que o identificasse como um ser superior. Além disso, Jesus manifestou em sua vida terrena, muitas das características humanas consideradas “imperfeitas” tais como raiva, tristeza, solidão, dor, sede, fome etc. Enfim, dificilmente Jesus se encaixaria em qualquer dos nossos padrões estereotipados sobre os iluminados.

Buda, talvez, seja o que mais se aproxima da imagem estereotipada que se criou sobre ele. Isso se deve, provavelmente, por sua postura meditativa e serena . Todavia, resistimos à idéia de que Buda poderia ter manifestado quaisquer dos defeitos humanos - após seu despertar. Como se em um simples click, ele tivesse se tornado perfeito. Essa noção apenas serve para fortalecer o mito – que muito interessa às religiões organizadas de que seus mestres e fundadores eram divinos. Afinal, não se coloca fé no que é humano, mas apenas no que é celestial.

Buda vivido por Keanu Reaves

Mas, obviamente o mito não é o real. Buda era uma pessoa comum e não deixou de sê-lo após sua iluminação. Muita gente quer elevar o estatus de Buda ao de um deus, mas ele foi tão humano quanto todos nós somos. Ou tão divino quanto nós também somos. A diferença talvez esteja no grau de percepção desta verdade. Considerar Sidarta Gautama um ser além de todos os defeitos humanos é destruir o cerne do seu próprio ensinamento e missão : provar que todas as pessoas são budas em potencial . Se não podemos nos tornar o que ele se tornou, nem alcançar o que ele alcançou então qual é o sentido de sua vida e missão? Mas se já somos budas em potencial então tudo muda. Mas esta ideia não parece agradar às igrejas, nem às organizações religiosas. Se já somos Budas, por que haveremos de ir às igrejas? Por que haveremos de seguir os monges, os padres e os lamas? Mas, sabemos que muitas pessoas preferem seguir a terem que "descobrir". Muitos se refugiam na imagem estereotipada do salvador como forma de amenizar sua dor, alcançar uma graça ou resolver seu problema. Mas Buda nos ensinou que o refúgio está dentro de nós mesmos. E que a libertação não está nas religiões, nem nos livros, nem nas orações, nem nos gurus, mas na compreensão da verdade sobre si mesmo e a vida.

O fato é que não temos elementos suficientes para analisar se tudo o que se diz sobre Jesus e Buda foi, assim, de fato. Muitos de nós apenas cremos que assim o foi baseado na autoridade das religiões e tradições . Mas o próprio Buda alertou-nos para não crermos na fé das tradições, nem no testemunho de sábios antigos, nem em coisa alguma só porque foi dita e repetida por muita gente. Ou seja, temos que considerar a crença como crença. E a verdade como verdade. E o certo é que não temos como atestar se uma crença é verdadeira ou não. Do contrário, não seria crença. Mas, isso não significa que não podemos fazer conjecturas. Ou levantar hipóteses e dar opiniões. Afinal, crer ou não crer é algo muito, muito pessoal.

Se não temos como sondar os grandes iluminados da antiguidade, resta-nos procurar iluminados mais contemporâneos. Alguns deles, tiveram sua vida, obra e atitudes amplamente registradas. Isso nos confere maior exatidão na busca de saber se nossos estereótipos e imagens, correspondem à realidade ou não. Analisemos abaixo alguns mitos e verdades sobre os iluminados:

· Todo iluminado é pobre.
Mito.
Por definição o iluminado não tem apegos nem ao luxo nem à pobreza. Pode ser extremamente pobre como Ramakrishna e Ramana Maharshi. Pode ter uma vida modesta como trabalhador ou exercer uma profissão, como Lahiri Mahasaya e Sri. Yuktéswar. Ou levar uma vida de classe média alta, como Krishnamurti. Este último, apesar de gostar de carros, morar em casas bonitas, usar roupas elegantes e frequentar bons restaurantes, não considerava-se dono dessas coisas. Não andava com dinheiro e dizia que tudo que precisava era um lugar para dormir, roupas para usar e comida para se alimentar.

Nisargadatta Maharaj

· O Iluminado não tem vícios, desejos, nem defeitos.
Mito. O vício está ligado ao corpo. Sri. Nisargadatta Maharaj fumava e também comia carne – um hábito considerado pecado mortal pelos conservadores hindus. Krishnamurti, apesar de não ser hindu, era vegetariano, não fumava e não bebia. Todavia, chegou a manifestar desejos carnais, pois teve um relacionamento amoroso com Rosalind Willians Raja Gopal- esposa de seu secretário particular. Isso foi revelado em um livro lançado pela filha de Raja Gopal , Radha Sloss “Lives in the Shadow With J. Krishnamurti”- ainda sem tradução para o português. Este fato não foi desmentido nem por sua biógrafa, Emily Lutiens, nem pelas Fundações que o representam. Para mim, isso não foi motivo de escândalo. Pelo contrário, fiquei satisfeito em saber que ele era tão humano quanto nós e que também teve seus defeitos e deslizes ao longo do seu "processo". Além disso, está coerente com seus ensinamentos, pois nunca pregou a castidade, nem a repressão dos desejos biológicos. O iluminado não é um ser “celestial”, “infalível” , ou “perfeito” - K. quebrou este mito. É bom saber que eles passaram por um processo de desenvolvimento e maturação, como nós estamos passando. Isto nos serve de motivação para buscarmos nossa própria Iluminação. Além do mais, K. nunca se arvorou em santo, ou casto ou qualquer outra coisa. Sua fala era que não importava quem era o orador, e sim se o que ele ensinava era verdadeiro ou não.

Ramakrishna e Sarada Devi

· O iluminado deve levar uma vida casta e renunciada.
Mito.
Lahiri Mahasaya era casado, pai de família e chegou a ter dois filhos. Trabalhava como contador para sustentar sua família e continuou casado até a morte. Ramakrishna também era casado com Sarada Devi.

· O iluminado não tem emoções humanas, não hesita e não se abala com nada.
Falso.
Conta-se que Sri Yukteswar chorou muito quando Yogananda viajou para a América. Jesus agonizou no jardim do Getsêmani, pedindo ao pai para afastar o cálice, libertando-o do drama que estava prestes a viver. É dito também que ele chorou sobre Jerusalém. Krishnamurti demonstrava, com uma certa frequência, impaciência e irritação em público. E, mesmo Babaji, hesitou. Conta-se que ele manifestou o desejo de despojar-se de sua manifestação carnal e pediu a opinião de sua irmã Mataji, esta aconselhou-o a nunca deixar sua forma humana. E assim, ele prometeu fazê-lo – fato descrito no livro Autobiografia de um Yogue.

· O iluminado sabe de tudo.
Outro grave erro.
O iluminado sabe de tudo acerca das ilusões da mente, da libertação e da compreensão da Verdade. Mas, não sabe "tudo". Certa vez Krishnamurti estava no Brasil e alguém da plateia perguntou-lhe acerca de seu próprio futuro. K. respondeu que não era advinho. Temos que compreender que o iluminado não tem a posse e controle de seus poderes. Talvez haja casos específico em que a intuição do iluminado se amplie fazendo-o perceber coisas extrafísicas. Mas, estes casos são raros. Temos que lembrar que nem mesmo Jesus se considerava dono de seus poderes. Tudo vinha do Pai, de acordo com suas próprias palavras.

Babaji

· O iluminado tem poderes.
Em tese sim, mas nem sempre e não necessariamente. Na literatura budista não há um só caso de milagres atribuído a Buda. Nem por isso ele deixou de ser iluminado. Jesus fez muitos milagres. Mas, entende-se que no caso dele, tinha a ver com a particularidade de sua missão. Krishnamurti tinha poderes de cura, mas raramente os usava e não gostava que este fato fosse mencionado. Vários de seus amigos e conhecidos mais próximos testemunharam casos de curas atribuídas a K. Diziam que, na juventude, ele lia cartas antes de serem abertas, percebia auras e ainda tinha poderes de telepatia. Lahiri Mahasaya fez vários milagres, inclusive curou doenças graves. Manifestou ainda: bilocação, materialização e ressuscitação de algumas pessoas. Assim também, com menos regularidade o fez Sri Yukteswar. E Babaji é , em si mesmo, um grande milagre, pois se diz que ele é imortal e não há limites para os seus poderes. Tudo isso foi descrito por Yogananda no livro Autobiografia de um Yogue.

· O iluminado não sonha.
Verdade.
Por definição, o iluminado extinguiu a barreira entre o consciente e o inconsciente. Tudo nele é consciência, não havendo, pois, necessidade de sonhar. Em geral eles dormem pouco e vivem a maior parte do tempo em meditação. Krishnamurti descreve em seu diário que costumava “experimentar certos estados interiores ocorridos durante o sono” (DK-13). Lahiri Mahasaya dormia muito pouco, vivia quase que constantemente em samadhi ou consciência desperta.

· Manifestação da Ananda ou Bem-aventurança.
Verdadeiro. Esse é um dos critérios mais convincentes sobre a iluminação: a manifestação da Ananda ou Êxtases. Grandes místicos cristãos, tais como Francisco de Assis e Tereza de Neumann, viveram seus êxtases místicos. Krishnamurti também. Em que difere os êxtases de K. de um santo cristão ou iogue hindu? Nada. A diferença parece estar apenas em elementos periféricos tais como a cultura , o país, a formação e a sociedade em que cada um viveu. Destarte, Francisco de Assis, revivia a paixão de Cristo e isto se refletia em seu corpo através das chagas. Assim também acontecia com Tereza de Neumann, a estigmatizada católica (AI-394). Um hindu provavelmente teria visões de Krishna ou algum outro avatar. Mas a profundidade e a intensidade dos êxtases eram muito parecidos – senão similares. Foi Sri. Yuktéswar quem revelou a importância deste critério na identificação do estado búdico . Yogananda perguntou-lhe quando ele iria encontrar Deus, seu mestre respondeu: “Pode-se adquirir o poder de controlar o universo inteiro e, no entanto, descobrir que Deus se esquiva. O progresso espiritual não é medido pela exibição de poderes externos, mas apenas pela profundeza da bem-aventurança alcançada em meditação”.

Sri Yukteswar e Yogananda

Por fim, como poderemos identificar um iluminado se não há sinais externos visíveis comprobatórios e definitivos? Jesus disse que pelos frutos é que se conhece a árvore. Mas também alertou contra os falsos profetas que iria, se possível, enganar até mesmo os eleitos. E hoje em dia, há muita mistificação e muitos Avatares fabricados. Nesta selva de enganação, exploração e ilusão, resta-nos sempre usar o bom-senso, a inteligência e a sabedoria para tentarmos identificar os verdadeiros iluminados pois eles, em geral, são reclusos e nunca anunciam quem verdadeiramente são- a não ser por uma missão muito específica ou para atender uma ordem superior.Basta lembrar-nos de Babaji que viveu em reclusão e anônimato nas regiões do Himalayas por séculos ou até milênios . Se não fosse por Yogananda , o mundo não saberia de sua existência.

Mas, porque queremos tanto encontrar um iluminado? Não seria importante analisarmos essa ânsia, essa angústia, esse desejo de encontrá-los, como se eles fossem solucionar nossos problemas e nos dar a paz que tanto precisamos? O Iluminado nada pode fazer por você que você não possa fazer por si mesmo. Quantos pessoas não foram discípulas de Lahiri Mahasaya, Sri Yukteswar e Yogananda e quantos realmente alcançaram a iluminação? Quantas pessoas conviveram intimamente com Cristo, Buda e Krishnamurti e quantos foram realmente transformados? Esses seres são pura luz e amor, mas se nossas portas estiverem fechadas de nada valerá encontrá-los. E eles não forçam a porta do seu coração. Eles batem, se você abrir eles entram com a luz dos seus ensinamentos. Essa luz é que liberta. Não o seguir, não o adorar, mas o viver realmente aquilo que eles ensinam.

Mas, o problema é que há tantas pessoas se autoentitulando iluminados que fica muito difícil para o leigo ou o buscador saber quem é quem nessa história toda. Por isso que Krishnamurti foi tão insistente em sua guerra contra os gurus. Ele sabia que a Iluminação não depende dos gurus. Se fosse assim, coitados daqueles que não tem dinheiro para viajar para a Índia, o celeiro dos grandes "iluminados". Independente disso, todos os mestres sempre foram unânimes em dizer: quando o discípulo está pronto o guru aparece. Não há necessidade de encontrá-los fisicamente. Qualquer coisa pode lhe dá uma luz, um insight, quando você estiver pronto. Pode ser um livro, a vida, a natureza, a família, os amigos, um acontecimento... qualquer coisa.

Lembro-me que Buda não teve guru, Cristo não teve guru, Krishnamurti não teve guru, nem Ramana o teve . Isso não implica dizer, que não existam os verdadeiros mestres. Nem que não seja bom encontrá-los. Mas eles não são essenciais ao seu despertar. Eles não podem despertá-lo por você. Somente você pode fazer isso e ninguém mais. Abaixo descrevo algumas características que podem ajudar na identificação dos verdadeiros iluminados:

O Verdadeiro Iluminado:

· É desapegado, uma vez que ele não tem EGO. Mas este desapego, não é percebido através de sinais externos, pois é interno.

· Não se abala com ter ou não ter desejos biológicos ou carnais. O que ele não tem é o desejo mental ou psicológico. Pode viver uma vida completamente normal, pois sua liberdade é interior e ele não precisa prová-la pra ninguém.

· Pode ter discípulos ou não. Tanto faz . Depende muito de sua missão particular no mundo. Todavia, o verdadeiro iluminado não anda à caça de discípulos, não se angustia por não tê-los, nem anda por aí se autopromovendo.

· Pode manifestar ou não poderes. Ele nem deseja tê-los, nem deseja não tê-los. Mas, em geral, não buscam aplausos ou aclamação pública e evitam demonstrações públicas de seus poderes.

· Vive completamente no aqui-agora, uma vez que o futuro, o presente e o passado são relatividades do mundo da mente condicionada, do qual o iluminado está liberto.

· Em geral, é humilde, e evita reconhecer a si mesmo como um sábio. Não tem arrogância por seu conhecimento, nem manifesta a detestável falsa humildade. Como dizia Lao Tsé: "o sábio cala, quem fala não sabe". Vive em um eterno aprendizado, ensina baseado em sua própria experiência e percepção direta . Pode ser um orador – como Krishnamurti. Ou falar pouco, como Lahiri Mahasaya e Ramana Maharshi.

Para finalizar, penso que bom senso e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. Você é o seu mestre. Cristo, a Verdade ou a Luz estão dentro de nós. E devemos nos guiar por ele sempre. Nem sempre os iluminados se tornam lideres espirituais ou gurus. Talvez, sua missão, naquele momento específico seja ficar anônimo. Podem atuar nas áreas da educação, medicina, física, arte… ou podem simplesmente ser seu vizinho ou colega de trabalho. Há um provérbio hindu que diz que apenas um médico pode reconhecer outro médico. Referindo-se ao fato de que apenas um iluminado pode reconhecer outro iluminado. Como um cego pode saber se o outro enxerga? Recuperando sua própria visão não? Sendo assim, o primeiro passo é iluminar-se, encontrar sua própria luz . Enxergar as coisas como elas são. Só então o indivíduo se torna capaz de perceber quem é Iluminado ou não. E então concluirá que essa questão não é assim, lá, tão importante!

Muito Obrigado!

Autor: ALSIBAR (inspirado)


Obs: Pode ser copiado integralmente, desde que, informe-se a fonte.

Referências: (DK) – Diário de Krishnamurti – J. Krishnamurti,Cultrix – São Paulo
(AI) – Autobiografia de um Iogue – Paramahansa Yogananda – Self Realization Fellowship, 2009.
Lives in the Shadow With J. Krishnamurti - Radha Sloss

Você pode baixar gratuitamente o livro em que Mary Lutiens comenta as revelações do livro de Radha Sloss em:



Fonte AQUI


sexta-feira, 30 de março de 2012

Sonho e Linguagem - Parte I

pintura de Jim Warren


"...“um sonho não compreendido é como uma carta não aberta”..."


 
"...Quando sonhamos, despertamos para outra existência..."

"...Sonhando não somos restringidos aos limites da realidade, do espaço, do tempo, do corpo... nada mais nos é restrito, temos o “poder”..."



* Saviitri Ananda *

Os sonhos são uma linguagem simbólica que contribuem para nosso autoconhecimento e nos permitem adquirir uma maior consciência da nossa personalidade. Nosso entendimento dessa linguagem pode nos fornecer condições de compreender conflitos e questões fundamentais da nossa existência. No Talmude existe uma citação que diz: “um sonho não compreendido é como uma carta não aberta”. Desvendar a linguagem de nossos sonhos é decodificar nossos caminhos.

A compreensão dos sonhos faz com que a pessoa entre em contato consigo mesma. Todos nós sonhamos e poucos entendem seus sonhos. Na verdade agimos como se eles nada significassem e acreditamos que nossa mente adormecida apenas esteja descansando das atividades do dia-a-dia. Orgulhamos-nos de ser realistas, racionais, ativos; agimos e observamos dentro do mundo exterior com controle de uso e manuseio, mas não concebemos mais do que duplicações de acontecimentos e experiências concretas.

Quando sonhamos, despertamos para outra existência. No sonho nós somos os autores, criamos um enredo, encarnamos como protagonistas; ao sonharmos, nossa lógica cartesiana é desprezada, as categorias de tempo e espaço que conhecemos são anuladas. Sonhando não somos restringidos aos limites da realidade, do espaço, do tempo, do corpo... nada mais nos é restrito, temos o “poder”.

Os sonhos nos dão vazão a um grande número de experiências e acesso a muitas memórias e é uma experiência presente e real. Todas as experiências pelas quais passamos em um sonho desaparecem quando acordamos e via de regra, são muito difíceis de ser recordadas; isso porque é escrito numa linguagem simbólica que não traduzimos.

Jung em seus estudos nos traz o conceito dos “arquétipos” que por sua vez nos leva a um fator desconcertante que é a semelhança dos produtos da nossa capacidade de criação durante o sono, com os mitos, as mais antigas criações do homem. Os mitos formam de acordo com a nossa ótica racional, um mundo inteiramente alheio a nossa lógica e os sonhos são muito parecidos com os mitos. Tanto na forma, como no conteúdo sonhos e mitos nos parecem estranhos e impossíveis pelas leis que governam nosso tempo.

A linguagem em que os sonhos se expressam é atemporal. Os sonhos que temos hoje em dia são os mesmos daqueles que viveram na Antiguidade porque se expressão por simbologia. Nessa linguagem simbólica, pensamentos, sentimentos e experiências íntimas são expressas como se fossem experiências sensoriais. Os fatos do mundo exterior se expressam numa lógica que difere da linguagem convencional. Na linguagem convencional, nossa lógica é ditada por categorias dominantes como tempo e espaço; na linguagem do sonhos as categorias que valem é a associação e a intensidade.

Os sonhos são uma linguagem atemporal e universal, um idioma único jamais criado pela raça humana; no entanto, nos condicionamos a não dar importância aos mesmos. Nosso racionalismo nos fez abdicar do seu entendimento. Freud nos deu uma valiosa contribuição para que despertássemos para a importância de nossos sonhos; colocou o estudo do sonho como um fenômeno universal, seja para um ser humano doente ou sadio. Ele percebeu também que os sonhos não se diferenciam dos mitos e que compreender essa linguagem era nos autoconhecermos.

Toda a imagem que vemos num sonho constitui um símbolo de algo que sentimos. Ma afinal, o que é um símbolo? Símbolo é uma expressão sensorial que representa um pensamento, um sentimento, uma experiência interior, algo de dentro de nós. A linguagem simbólica é um idioma onde o mundo exterior é um símbolo de nossas almas e mentes. Sonhamos que somos ambiciosos quando nos achamos desprendidos, sonhamos com a realização dos desejos, sonhamos ter raiva de pessoas que amamos, sonhamos com lugares que nunca conhecemos... e não entendemos os nossos sonhos.

Deveríamos nos dedicar ao estudo dessa linguagem como nos dedicamos ao estudo de outro idioma. Se entendermos a linguagem em que os sonhos são escritos, poderemos nos utilizar dessas horas em que não estamos conectados ao mundo exterior e decifrar a nós mesmos.

 Saviitri Ananda é terapeuta holística (Ayurveda, Reiki, Aromoterapia) e consultora em Tarô, Mapa Astral; formada em Psicologia, Jornalismo e Ed. Física (UFPr); pós graduada em Artes, Psicologia Comportamental e Naturoterapia. Desenvolve estudos sobre tantra, multidimensionalidade, eubiose e cura quântica – Curitiba/PR.
E-mail:
saviitri@gmail.com

Permitida a reprodução em qualquer meio, desde que citada a fonte e mantidos integralmente todos os créditos.
Honre o Divino em você, honrando o Divino nos outros.

Fonte AQUI

Sonho e Linguagem - Parte II

pintura de Jim Warren


"...Os povos Antigos não falavam no sonho como um fenômeno psicológico e sim como experiências concretas da alma separada do corpo, mensagens enviadas por divindades ou como contato com espíritos e seres de outro mundo..."


"...os sonhos representam a voz da nossa consciência, sendo muito necessário ouvi-la..."


"...O “despertar da consciência” está muito ligado a interpretação da linguagem dos sonhos porque quando nós sonhamos, abrimos um alçapão..."




Se o sonho é uma linguagem simbólica, decifrá-los seria um ato de força e coragem, pois nos traria autoconhecimento. Entender a linguagem dos sonhos é traduzir nosso “modo operante”. Mas como entender esse idioma? Muitos estudiosos do assunto nos forneceram inúmeras teorias para solucionar o mistério, todavia existem três delas que podem ser consideradas como as mais importantes:

1- * A teoria freudiana que afirma que todos os sonhos são manifestações da natureza não racional do homem;

2- * A teoria junguiana que coloca os sonhos como produto do inconsciente coletivo, revelando conhecimentos que transcendem o indivíduo;

3- * Uma terceira corrente que coloca os sonhos como uma atividade mental que revela nossos anelos irracionais, mentais e morais.

A interpretação dos sonhos é algo que fascina o homem desde o princípio. Os povos Antigos não falavam no sonho como um fenômeno psicológico e sim como experiências concretas da alma separada do corpo, mensagens enviadas por divindades ou como contato com espíritos e seres de outro mundo. Cada sonho era interpretado numa determinada estrutura cultural e referências religiosas e morais.

A interpretação psicológica dos sonhos procura compreendê-los como a expressão da mente que sonha. Existe uma ligação significativa entre temperamento e conteúdo sonhado. Homero já citava o sonho como uma manifestação de nossas faculdades, quer racional ou irracional e Sócrates dizia que os sonhos representavam a voz da nossa consciência, sendo muito necessário ouvi-la. Já Aristóteles nos falava sobre a natureza racional do sonho e supunha que durante o sono éramos capazes de percepções mais precisas de ocorrências corporais sutis; ele colocava que muitos sonhos eram acidentais e que não mereciam ser creditados como funções preditórias. Freud colocou que todos os sonhos, sem exceção, tem significado e constituem comunicados importantes para nós mesmos.

Cada um de nós é seu próprio instrumento para decifrar a linguagem dos sonhos. Não existe nenhuma pessoa privilegiada, pois o sono é uma atividade física inerente a todos. Kant escreveu que “os sonhos são idéias que a gente não lembra ao acordar”; segundo seus estudos, o homem não dorme completamente e tece as ações de seu espírito junto as impressões dos sentidos externos; portanto, se recordaria posteriormente de parte deles.

Os sonhos possuem integridade e tem uma consciência dupla, são tanto sub como objetivos. Mostram-nos que cada ação, cada pensamento, cada causa é bipolar. Somos conduzidos por essa experiência às causas e inteirados da identidade de todos “efeitos”. Ao traduzir a linguagem onírica aprendemos que as ações que repudiamos provêm dos mesmos sentimentos que aceitamos. O sono retira a máscara da realidade e o sonho nos arma da liberdade que converte tudo em ação.

Entender a linguagem dos sonhos requer não só conhecimentos, mais muita prática e paciência. Significado e função dos sonhos são questões muito ambíguas: desejo irracional ou discernimento de energias e acontecimentos? Eu inferior ou eu divino? A linguagem dos sonhos está estruturada sobre as nossas experiências sensoriais. Nossas lembranças vão formando um todo sólido que se insere em nossas ações atuais e por trás das lembranças, existem outras milhares, armazenadas no subconsciente. O “despertar da consciência” está muito ligado a interpretação da linguagem dos sonhos porque quando nós sonhamos, abrimos um alçapão e permitimos que a claridade destrua o “véu de maya” e abra o “portal da verdade”, o acesso as nossas faculdades mais humanas.

* Saviitri Ananda é terapeuta holística (Ayurveda, Reiki, Aromoterapia) e consultora em Tarô, Mapa Astral; formada em Psicologia, Jornalismo e Ed. Física (UFPr); pós graduada em Artes, Psicologia Comportamental e Naturoterapia. Desenvolve estudos sobre tantra, multidimensionalidade, eubiose e cura quântica – Curitiba/PR.
E-mail:
saviitri@gmail.com

Permitida a reprodução em qualquer meio, desde que citada a fonte e mantidos integralmente todos os créditos.
Honre o Divino em você, honrando o Divino nos outros.
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quinta-feira, 29 de março de 2012

Correntes oceânicas como nunca antes vistas



Por em 28.03.2012

Prepare-se para ver algo relativamente comum com outros olhos. Uma animação da NASA mostra as correntes oceânicas mundiais do período de junho de 2005 até dezembro de 2007. Não espere narração ou explicações – essa será uma experiência apenas visual, e incrível. [NASA]



Fonte AQUI



quarta-feira, 28 de março de 2012

Mia, os olhos verdes mais lindos que já vi

Gata linda, com olhos verdes que lembram o mar.





Além de linda é meiga e inteligentíssima.






domingo, 25 de março de 2012

O Fim do Mundo, A Tirania do Medo e a Ilusão do Desejo

Fonte da imagem AQUI

"...Dentre os vários medos do homem, o do fim do mundo afigura-se como um dos mais temidos e prejudiciais..."


"...os verdadeiros homens de Deus, os verdadeiros sábios e avatares sabem que não se vence o medo com o medo. Sabem que o medo não liberta o homem, mas apenas aprisiona-o mais ainda..."


"...Os verdadeiros “despertos” não se preocupam com o tempo, com o amanhã ou com o futuro..."


"O medo é um dos piores entraves no caminho para o despertar..."


"...A necessidade e importância do despertar independe de quando será o fim do mundo – hoje, amanhã ou no próximo ano que importa?..."


"...Onde quer que estejamos, neste ou noutro mundo qualquer, seja físico ou não, ali estará nossa consciência ou desperta ou adormecida. Se ela estiver desperta aqui, assim o estará em qualquer dimensão ou mundo. Se adormecida aqui, assim o estará em qualquer outra dimensão ou plano..."


"...nada adianta viver falando no fim do mundo, quando não se trabalha para o despertar. Seria muito mais útil e produtivo alertar para um fato que pode ser constatado por qualquer um: o nosso mundo já acabou há muito tempo..."


 
"...O desejo de se alcançar qualquer coisa ou estado neste ou noutro mundo nos aprisiona cada vez mais nessas esferas terrenas ou astrais..."



O FIM DO MUNDO


Por que o medo sempre foi usado como armas de dominação das massas? Será que realmente precisamos dele para alguma coisa? Mudaremos ou salvaremos o mundo através do cultivo do medo? Qual é a relação entre o medo e o desejo? Será que não precisamos nos libertar destes dois para sermos realmente livres ? No texto abaixo refletiremos sobre estes e outros pontos relativos ao desejo, o medo e o fim do mundo.

OS PRIMÓRDIOS

A história do homem é uma história de bravura, de lutas, guerras, dominações, mas também é uma história de desejo e medo - muito medo. Desde a pré-história o homem oscila entre o medo do desconhecido, a necessidade de lutar pela própria sobrevivência e o desejo de expandir-se através de novos horizoantes. Diante do medo o que resta ao homem fazer? Confiar, crer em forças maior do que ele como o trovão, o fogo, o vento, o mar, a natureza e os animais. Ao render culto a essas forças primais procurava ele tornar o desconhecido menos arriscado e, ao mesmo tempo, fortalecer-se de coragem e fé para enfrentar os desafios das lutas diárias – de sobrevivência, dominação ou expansão. Os líderes religiosos sempre souberam do poder do medo, por isso, entre todos os povos e culturas – Astecas, Maias, Íncas, Egípcios, Gregos , Romanos, Hindus – foi marcante a presença de rituais “sagrados” muitos deles envolvendo sacríficios de toda espécie e natureza – inclusive de humanos. Esse poder, de tão notável, foi muitas vezes usado pelos governos – tiranos ou não – para dar legitimar suas ações aqui na terra. Assim, não era raro que o líder religioso e o líder terreno andassem paripasso fortalecendo-se mutuamente e cooperando na manutenção do status quo.

O MEDO, O DESEJO E A TIRANIA CATÓLICA

A história nos mostra que sempre foi assim. O medo e o desejo moveram o homem em boa parte dos acontecimentos históricos da Idade Média. A igreja católica é conhecida por protagonizar ações em que usou o medo e o desejo como principais armas de opressão: muitos temiam o inferno e desejavam ardentemente o céu, oferecido aos fiéis através das indulgências vendidas a peso de ouro a todos que obedecessem sem questionar as suas ordens e ditames – por mais absurdos e cruéis que pudessem ser. Foi através do cultivo do medo da condenação eterna e pela promessa do céus – por meio do perdão dos pecados – que muitos reis e imperadores, se renderam ao poder da Igreja. Foi assim, que ela consolidou-se como principal aliada do Estado. Chegou ao ponto de não precisar mais de discursos, passou usar a própria força e os poderes temporais a ela concedidos, para forçar e amedrontar a todos que a ameaçavam. O medo deixou de ser algo abstrato e passou a ser uma ameaça verdadeira: aqui merecem ser lembrados os temíveis tribunais de inquisição, as fogueira de mataram tantos e as Cruzadas. Mas, é bom lembrar que tudo isso iniciou-se com o medo do inferno e o desejo de se alcançar os céus. O resultado disso tudo foram séculos e séculos de dominação tirânica através do medo e do desejo.

HOMENS LIVRES QUE MUDARAM O MUNDO

Mas – graças a Deus – apareceram homens livres do medo da Igreja e sua teologia e estes homens mudaram a história. Homens como Francisco de Assis, Martinho Lutero, João Calvino, Rei Henrique VIII, dentre outros, tiveram a coragem de romper definitivamente com o medo que tanto oprimia os homens. Livres do medo, estes homens ousaram enfrentar a ira de uma organização poderosíssima e tirânica como o foi a Igreja Católica durante a Idade Média. Isso prova que a liberdade sempre começa na consciência. Uma mente livre atua destruindo grilhões e amarras que prendem a si mesmo e aos outros. Por isso que a liberdade nunca é bem vinda, seja onde e quando for. Homens como Jesus Cristo, Gandhi, Krishnamurti e outros grandes – mártires ou não – são verdadeiras ameaças ao poder estabelecido. Eles não se submetem ao poder do medo. Suas mentes e consciências são livres de tal forma que não temem a morte, a dor e o sofrimento. O que não significa que são tolos, sabem a hora de agir e até que ponto podem ir. Realizam, assim, o que Jesus disse “Sêde mansos como as pombas e prudentes como as serpentes”.

O MEDO, O DESEJO E A TIRANIA NA SOCIEDADE MODERNA

O problema todo é que esta problemática não é exclusividade da Idade Média. Até hoje o medo e o desejo são usados como forma de dominação em todas as áreas e setores da sociedade moderna. É um verdadeiro câncer que atinge a toda humanidade, com raríssimas excessões. É o professor que não aceita que o aluno discorde de suas posições. É a mãe e o pai que exigem obediência irrestrita dos seus filhos – mas não explica o porquê. É o marido que ameaça a esposa com violência e até morte caso ela ouse desobedecê-lo. São os patrões que não aceitam ser contrariados. São as seleções para empregos ou promoções de cargos internos, em que os mais independentes e questionadores são banidos pois representam uma ameaça . São aqueles que são rechaçados de uma empresa ou instituição por terem a coragem de denunciar os erros e as falcatruas. São as religiões que, como na idade média, continuam usando o medo do inferno e o desejo de viver no céu – para manter seus domínios sobre as mentes de seus seguidores. São as crenças de que quanto mais você desejar e quanto mais ambições tiver melhor será. São os chamados movimentos religiosos que alimentam a busca por estados superiores de consciência ou despertar como se este fosse resultado do desejo, esforço ou disciplina; É a crença geral e dominate de que devemos esforçar-mo-nos para ser mais, ser melhor, mais caridosos, mais bondosos – como se o ser humano pudesse tornar-se melhor através do desejo, do medo e do tempo. E assim por diante. E ai daqueles que discordem deles! Ai daqueles que ousem ter opiniões próprias! São taxados de obssediados, endemoniados ou mentalmente desequilibrados. Isso ocorre em quase todas as religiões e movimentos religiosos – com raríssimas excessões.

A CRENÇA NO FIM DO MUNDO

A PROFECIA DOS MAIAS ESTARÁ CORRETA?


Dentre os vários medos do homem, o do fim do mundo afigura-se como um dos mais temidos e prejudiciais. Ora, o fim do mundo é anunciado desde o tempo de Jesus, principalmente pelos apóstolos que agarraram-se às supostas profecias de Jesus sobre o fim dos tempos. Uma das sentenças mais intrigantes e que suscita polêmica é a seguinte “Em verdade vos digo que não passará esta geração até que isso tudo aconteça” ( MT 24 : 3- 34). Ora, obviamente ele não estava falando do fim do mundo físico, senão nem estaríamos aqui comentando estas questões. Estaria ele referindo-se a outros “finais” como por exemplo, as guerras ou o holocausto que arrasaram os Judeus? Estaria ele falando da morte dos próprios apóstolos martirizados em defesa da fé que propagavam e defendiam? Ou será que falou isso mesmo? Será que entenderam e registraram sua palavras corretamente? Ou seja, talvez tenha ele tenha se referido a outro fim, mas não no fim do mundo material.

TRAGÉDIA, DECEPÇÃO E A CRENÇA NO FIM

ADEPTO DA  FAMILY RADIO DE "MALAS PRONTAS"


Mas muita gente ainda acredita e prega o fim do mundo. O problema é que os anos vão passando e o fim não vai chegando, mesmo assim, esta crença vai fazendo estragos à medida que vai sendo anunciada por líderes malucos ou altamente espertos. Quem esquece de líderes religiosos como Jim Jones em 1978, David Koresh em 1993 e Marshall, Applewhite e Bonnie Nettles (Heaven's Gate) em 1997? E o que dizer de Jonas Wendell, Charles Taze Russel, William Millers, Joseph Flanklin Rutheford e outros profetas do Fim do Mundo que anunciaram e reanunciaram o fim do mundo várias vezes, gerando muita confusão, frustação e decepção? Por último, a imprensa mundial informou que um grupo religioso conhecido como Family Radio liderado pelo pastor Harold Camping, de 89 anos marcou a data final para a 21 de Maio de 2011, como nada aconteceu, obviamente ele já remarcou a data para 21 de Outubro de 2011. Outros, já adiaram a data um pouquinho mais a data e fixaram-na para 2012. Além desses casos mais notórios, há centenas de outros casos que envolvem anônimos. Recentemente, a televisão reportou o caso de umas famílias que – crendo-se eleitos e confiantes no arrebatamento – picotaram dinheiro, deixaram os empregos e o lar – e saíram sem destino caminhando ao longo das estradas pois acreditavam que iriam ser arrebatados ao longo do caminho. Ora até quando iremos conviver com tanta estupidez? Até quando as sementes perniciosas de crenças como estas continuarão fazendo suas vítimas?

OS VERDADEIROS ILUMINADOS NÃO ALIMENTAM O MEDO

Quero deixar bem claro que não estou aqui como defensor de minha verdade, mas também questiono todos aqueles que agem como se a detivessem – ainda convencem os outros de que a tem. Mas, se realmente essas pregações escatológicas tivessem alguma valia ou importância, teriam sido anunciadas pelos verdadeiros iluminados que visitaram nossa terra até pouco tempo. Seres como Paramahansa Yogananda, Sri Yukteswar, Lahiri Mahasaya, Babaji (o verdadeiro), Krishnamurti, Ramakrishna, Ramana Maharish teriam, de alguma forma, nos alertados para a proximidade do fim, mas por que não o fizeram? É simples, porque os verdadeiros homens de Deus, os verdadeiros sábios e avatares sabem que não se vence o medo com o medo. Sabem que o medo não liberta o homem, mas apenas aprisiona-o mais ainda. Sabem que o medo não pode ser usado como ferramenta de dominação e convencimento de ninguém. Sabem o mais óbvio: não se liberta o homem do medo usando o próprio medo como fator de libertação – é impossível. É uma grande incoerência. Quem assim o faz, prova não ser iluminado, atesta para si mesmo e para os outros que não é um “ser liberto”.

O VERDADEIRO DESPERTO NÃO ALIMENTA ILUSÕES

Os verdadeiros “despertos” não se preocupam com o tempo, com o amanhã ou com o futuro. Seria contraditório se o fizessem. Eles querem exatamente o contrário: libertar-mo-nos do tempo, pois no tempo, só há miséria, dor e sofrimento. É a dimensão do tempo e do desejo que nos mantém presos nas nossas próprias ilusões. O medo é um dos piores entraves no caminho para o despertar. É ele que alimenta as crenças, é ele que mantém a doentia relação guru- discípulo- relação esta que trouxe mais males que benefícios pois afigura-se como campo fértil da exploração, da dominação e do medo. O verdadeiro guru está além dessa dependência e também não a alimenta. O problema é que nem todos os gurus são verdadeiros e são raros os verdadeiros que saem do anonimato – por alguma razão especial o fazem – mas não por sua própria vontade e glorificação. Talvez, haja momentos em que os verdadeiros gurus tornam-se conhecidos – como no caso da linhagem que iniciou-se com Babaji e continuou com Yogananda – mas estes acontecimentos são excessões, não são regras. Além disso, tudo o que Yogananda escreveu e todos os milagres que ele presenciou não teriam sido possíveis se não houvesse uma ordem superior autorizando. Ou seja, não foi pela vontade dele, nem dos iogues que ele conviveu, que estes fatos foram por ele testemunhados e posteriormente revelados ao mundo. Mas foi por uma ordem superior, por uma causa que somente podemos inferir, mas dificilmente saber.

YOGANANDA, OS GURUS E O PROBLEMA DAS CRENÇAS

Autobiografia de um Iogue

É fato que depois de Yogananda, o mundo não teve mais nada parecido. Não foi por falta de tentativas. Há vários escritores, "iogues", e ex-discípulos de Yogananda que dizem ter passado por experiências similares as dele – inclusive com encontros com Babaji – mas seus testemunhos não tem a força e a influência alcançada por Yogananda e seu Autobiografia de um Yogue. É como se aquele "portal" do miraculoso, tivesses sido aberto por ele, mas encerrou-se nele também. Dificilmente a humanidade vai ter outro acontecimento como este na terra. O motivo é porque quando a humanidade tem conhecimento desses fatos e pessoas extraordinárias, ele multiplica os vários problemas e ilusões que já existem. Explicando: é fato que Yogananda com seu relato em primeira mão reviveu a chama da espiritualidade em vários corações desiludidos e desacreditados. Mas também é fato que as revelações por ele trazidas, até hoje provocam prejuízos de inimagináveis consequências tais como: as várias correntes que usam o nome de Babaji para se promoverem, as brigas pelos direitos autorais da verdadeira Kriya Yoga, as várias pessoas que se autoproclamadas encarnações de Babaji e Yogananda que pipocam na Internet, e os vários movimentos religiosos que se apóiam na tradição e autoridade de Yogananda como forma de “legitimar” seus movimentos e organizações – e assim por diante.
Talvez, por isso, Krishnamurti tenha recusado, até o último momento a dar descrições sobre o além, sobre quem era, sobre quem o acompanhava, ou sobre o “outro lado”. Disse ele certa vez: “É que se abrirmos esta porta, não poderemos conter o que está por trás dela”. Isso basta para percebermos o quanto é tolo ficarmos discutindo sobre o além, sobre o futuro, sobre a iminência ou não do fim do mundo. Nada disso nos transforma, nada disso nos liberta, nenhum significado tem para nossas vidas.

QUAL MUNDO QUEREMOS SALVAR?

O MUNDO DA MATRIX OU ILUSÃO

A necessidade e importância do despertar independe de quando será o fim do mundo – hoje, amanhã ou no próximo ano que importa? “ Onde estiver teu coração aí estará o teu tesouro”. “Onde estiverem os cadáveres alí se juntarão as águias”. Onde quer que estejamos, neste ou noutro mundo qualquer, seja físico ou não, ali estará nossa consciência ou desperta ou adormecida. Se ela estiver desperta aqui, assim o estará em qualquer dimensão ou mundo. Se adormecida aqui, assim o estará em qualquer outra dimensão ou plano. Por isso, importa trabalharmos para o despertar aqui e agora, pois somente no aqui agora, o eterno presente, pode o homem se libertar das ilusões do ego e do tempo. Por isso, aos arautos e profetas do fim do mundo e a todos aqueles que comungam da mesma crença, não esqueçam que nada adianta viver falando no fim do mundo, quando não se trabalha para o despertar. Seria muito mais útil e produtivo alertar para um fato que pode ser constatado por qualquer um: o nosso mundo já acabou há muito tempo. Nós vivemos em um mundo de ilusões, de sonhos, de pensamentos reativos e de desejos. O mundo que queremos salvar simplesmente não existe. Não sabemos o que é a vida, tudo o que fazemos nesta vida é apenas resultado de um emaranhado complexo de fatores, de causas e efeitos, cujo centro é desprovido de qualquer essência. Ou seja, o que somos? Condicionamentos? Desejos? Pensamentos? Memória? É este o mundo que queremos salvar? Para quê? Para perpetuarmos a ilusão e o consequente sofrimento?

OS SONHOS CONTINUAM NO ALÉM?

A MEDITAÇÃO  E AS VIAGENS ASTRAIS

A vida verdadeira, o verdadeiro mundo está aqui – exatamente onde nos encontramos apenas a Mente nos impede de percebê-lo. Nosso trabalho deve se concentrar no despertar pois nele é que se encontra a única saída possível. Assim dizia Buda, Jesus e assim reafirmou Sri. Yukteswar “um ser terreno não desenvolvido permanece a maior parte do tempo no profundo estupor do sono da morte e dificilmente tem consciência das belas esfera astrais”. Isso também pode ser comprovado por qualquer pessoa ao dormir. Os projetores conscientes (aquelas pessoas que ‘acordam’ dentro dos sonhos) sabem que quanto mais conscientes ficarem durante o dia, maior é a chance de se ter sonhos lúcidos. Isso pode ser comprovado por qualquer um, não precisa “crêr”. Implica dizer que toda nossa energia e atenção deve concentrar-se no despertar, do contrário continuaremos dormindo - tendo alguns momentos de semi-consciência e raríssimos momentos de verdadeira consciência.

O DESEJO E O MEDO IMPEDEM O DESPERTAR

Que me perdoem todos que acreditam no fim do mundo. Não esqueçam que crenças, são apenas crenças e que não podemos tê-las como Verdade. A Verdade está aqui diante de nós. Ela encontra-se na percepção do que somos e a consequente libertação de todo o medo e desejo. Medo e desejo são irmãs, como faces de uma mesma moeda. O desejo de se alcançar qualquer coisa ou estado neste ou noutro mundo nos aprisiona cada vez mais nessas esferas terrenas ou astrais. Buda já dizia que “o desejo é a raiz de todo o mal”. Sri. Yuktésar afirmou categoricamente que “o poder dos desejos não realizados é a raiz de toda escravidão humana”. (A.Y-457). Krishnamurti costumava dizer que o próprio desejo de se alcançar a Verdade ou Deus impedia-nos de percebê-la, pois desejo é tempo, é pensamento, ou seja é a perpetuação do próprio EGO.

MEDITAÇÃO: O CAMINHO DA LIBERTAÇÃO

A MEDITAÇÃO É A SAÍDA

Por fim, é bom ficarmos alertas para esses dois grandes fatores da escravidão humana: desejo e medo. Ora, porque desejamos? É simples, porque temos medo. Desejamos o céus porque tememos o inferno. Desejamos a saúde porque tememos a doença. Desejamos o sucesso e abundância porque tememos as dificuldades e a escassez. Desejamos um amor porque tememos a dor da solidão. Desejamos a iluminação e a bem-aventurança porque tememos a ilusão e o sofrimento – e assim por diante. Assim sendo, devemos estar conscientes do medo e do desejo, e não tentar vencê-los com mais medo e desejo – um eterno círculo vicioso muito difícil de escapar e perceber. Somente com o não-desejo, somente com a quietude da meditação, somente com o percebimento sem escolha, sem desejos de ser, vir-a – ser ou não-ser é que o homem pode libertar-se. A Bíblia já anunciava “aquietai-vos e sabei que Sou Deus”. Apenas na quietude da verdadeira meditação, libertos do tempo, do esforço e do medo é que o homem vai libertando-se aos poucos dos grilhões de Maia ou Matrix. Assim, anunciou os grandes avatares, assim alertou-nos os iluminados e assim nos diz nossa própria inteligência, razão e experiência. Abaixo a pedagogia do medo! Não precisamos de mais medo, basta-nos o que já temos! Necessitamos sim do despertar e esse só vem quando não há mais nenhum resquício de medo ou desejo. Inclusive do medo do Fim do Mundo e do desejo de se alcançar o céu, o paraíso ou até mesmo o Nirvana.

AUTOR: ALSIBAR (Sob inspiração?)

Fonte AQUI


quarta-feira, 21 de março de 2012

Roda Cósmica


“Há um único meio de evitar a roda cósmica de causa e efeito (a necessidade de reencarnação) e isto é obtido através do esforço consciente para compreender a Lei da Vida. Deve-se procurar ardentemente o Deus Interno, estabelecer contato permanente e consciente com esse “Eu Interior” e mantê-lo firmemente, sejam quais forem as condições que se apresentem na vida exterior...”

do Livro Mistérios Desvelados - Ensinamentos do Mestre Saint Germain. Pág. 39

terça-feira, 20 de março de 2012

Coração puro

Zolan

"Quem o tem o coração puro?
Aquele que não mancha o seu coração nem com o mal que comete nem com o bem que faz".

Dietrich Bonhoeffer, citado por François Varillon, em
"Alegria de Crer e Viver"

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